Tratar a PHDA em adulto é, muitas vezes, aprender a lidar com um cérebro que funciona por intensidade, não por prioridade e construir um sistema (interno e externo) que ajude a vida a deixar de ser constantemente vivida em modo de urgência.
Quando falamos em tratamento, falamos de reduzir o impacto dos sintomas (desatenção, desorganização, impulsividade, instabilidade do foco), mas também de algo mais humano e profundo: recuperar margem, ganhar clareza, diminuir a culpa, sentir que a vida deixa de ser uma corrida atrás de si própria.
O plano é sempre personalizado e pode combinar várias abordagens: psicoterapia, intervenção comportamental, estratégias de organização, psicoeducação, eventualmente medicação, e ajustes de estilo de vida. As recomendações clínicas internacionais sublinham precisamente esta lógica multimodal e adaptada à pessoa.
Este é um artigo informativo sobre o tratamento da PHDA em adulto. Se pretendes agendar uma consulta / avaliação, visita a nossa página Consulta / Avaliação da PHDA em Adulto.
Primeiro passo: avaliação e plano personalizado
O tratamento começa com uma avaliação completa. E “completa” aqui significa: com tempo, com detalhe e com impacto funcional como guia.
Em geral, esta fase inclui:
- História desde a infância/adolescência (mesmo que os sinais fossem subtis);
- Dificuldades atuais por áreas: trabalho/estudos, rotinas, relações, gestão do tempo, sono;
- Identificação de comorbilidades frequentes (ansiedade, depressão, burnout, sono, consumo, trauma) e diagnóstico diferencial;
- Definição de objetivos concretos (não só “quero concentrar-me melhor”, mas em quê, quando, com que custo emocional?).
A partir daqui, constrói-se um plano terapêutico com:
- Prioridades claras (o que dói mais e o que desbloqueia mais rapidamente o funcionamento);
- Métricas observáveis (ex.: atrasos, tarefas concluídas, esquecimentos, conflitos por desorganização);
- Acompanhamento regular e ajustes ao longo do tempo.
Isto está alinhado com recomendações como as do NICE, que enfatizam intervenção ajustada ao grau de impacto e à realidade da pessoa.
Os pilares do tratamento da PHDA em adultos
Abaixo deixamos os pilares mais comuns. Nem todos são necessários para todos e, em muitos casos, o segredo está na combinação certa (e não em “fazer tudo”).
1) Psicoterapia (especialmente TCC adaptada à PHDA)
Em que consiste
Uma psicoterapia focada em:
- organização e planeamento realistas;
- gestão do tempo e procrastinação;
- regulação emocional (frustração, vergonha, explosões, impaciência);
- padrões de autoexigência (“se eu tivesse força de vontade…”);
- estratégias para lidar com distrações e iniciar tarefas.
Quando é indicada
- quando a PHDA já está a afetar relações, trabalho, autoestima ou saúde mental;
- quando há ansiedade/depressão associadas;
- quando a pessoa quer mudanças sustentáveis (não só “dicas rápidas”).
Objetivo principal
Transformar a PHDA de “uma guerra diária” num funcionamento com estratégia.
Benefícios esperados
A evidência científica suporta a eficácia da TCC em adultos com PHDA na redução de sintomas e dificuldades associadas, com resultados também em funcionamento e regulação emocional.
2) Psicoeducação e treino de competências (skills training)
Em que consiste
Aprender como funciona a PHDA (sem moralizar) e desenvolver competências práticas:
- priorização;
- criação de rotinas;
- “sistemas externos” (agenda, lembretes, listas, blocos de tempo);
- reduzir decisões repetidas (“o que faço agora?”);
- estratégias anti-procrastinação;
Pode ser individual ou em grupo.
Quando é indicada
- quando há desorganização significativa e dificuldade em manter hábitos;
- quando há “tudo na cabeça” e pouco “no sistema”;
- como base para outros tratamentos (com ou sem medicação).
Objetivo principal
Construir uma vida menos dependente de motivação e mais apoiada por estrutura inteligente.
Benefícios esperados
Programas estruturados de treino de competências têm evidência em adultos, com melhorias em sintomas e funcionamento.
3) Medicação (quando indicada e acompanhada por médico)
Em que consiste
Medicação que atua nos mecanismos neurobiológicos associados à atenção e autorregulação.
Em adultos, as recomendações apontam frequentemente para estimulantes como primeira linha, quando há impacto clinicamente relevante.
Quando é indicada
- quando os sintomas causam impacto significativo (trabalho, risco, relações, funcionamento diário);
- quando estratégias comportamentais não são suficientes por si só;
- quando existe capacidade para monitorização regular e ajustamentos.
Objetivo principal
Diminuir ruído interno, melhorar foco e reduzir impulsividade/desorganização para que as estratégias aprendidas funcionem.
Benefícios esperados
- melhor atenção sustentada;
- maior capacidade de iniciar e terminar tarefas;
- menos “arranque difícil” e menos sensação de esforço extremo para tarefas simples.
Segundo o NICE, para adultos, lisdexanfetamina ou metilfenidato são opções de primeira linha (dependendo do caso e da disponibilidade/indicação clínica).
Em Portugal, a literatura clínica também discute estes fármacos e alternativas como a atomoxetina em situações de intolerância ou contraindicações aos estimulantes.
Nota importante: medicação é sempre decisão clínica individual, considerando história clínica, ansiedade, sono, tensão arterial, risco cardiovascular, e potencial de abuso.
4) Intervenções complementares com evidência (mindfulness, sono, estilo de vida)
Mindfulness (como ferramenta, não como “cura”)
Mindfulness pode ajudar sobretudo na autorregulação, reatividade emocional e relação com a distração. Há meta-análises que sugerem benefícios em sintomas e funcionamento, embora a qualidade dos estudos e os efeitos comparativos possam variar.
Sono, exercício e rotinas fisiológicas
São a base neurobiológica.
Sono irregular e privação de sono conseguem imitar ou amplificar sintomas de PHDA, por isso, muitas vezes, tratar PHDA também é tratar o terreno onde ela vive.
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Perguntas Frequentes sobre o Tratamento de PHDA em Adulto
Quais serão os benefícios do tratamento?
Depende do teu ponto de partida, mas os ganhos mais comuns são:
- menos procrastinação e mais consistência;
- menos culpa e maior autoeficácia;
- menos caos mental e mais clareza prática;
- melhoria no desempenho (sem te “queimares”);
- menos conflito em casa e no trabalho.
E, muitas vezes, algo subtil mas transformador: sentires que és competente sem teres de sofrer para o provar.
Como saber se o tratamento está a resultar?
Sinais típicos:
- Consegues começar tarefas com menos resistência;
- Completas mais coisas “sem drama”;
- Melhoras em prazos, esquecimentos e gestão de tempo;
- Reduzes conflitos por falhas de organização;
- Sentes menos exaustão mental no fim do dia.
Muitas equipas usam também escalas de monitorização e revisão regular de objetivos (muito útil para manter o tratamento “com direção”).
É possível tratar a PHDA sem medicação?
Sim, em muitos casos.
Sobretudo quando:
- os sintomas são moderados;
- há boa capacidade de implementar estratégias;
- o foco do tratamento é funcionamento + regulação emocional + sistema de vida.
A psicoterapia (especialmente TCC adaptada) tem evidência na melhoria de sintomas e dificuldades associadas em adultos.
Que tipo de medicação é utilizada no tratamento da PHDA nos adultos?
De forma geral, podem ser utilizados:
- Estimulantes (ex.: metilfenidato, lisdexanfetamina)
- Não estimulantes (ex.: atomoxetina)
As escolhas variam por perfil clínico, tolerância e comorbilidades.
Quanto tempo demora a ver melhorias?
Depende do tipo de intervenção:
- Medicação: algumas pessoas notam efeitos mais rápidos, mas a otimização pode levar semanas com ajustes;
- Psicoterapia/treino de competências: tende a ser gradual, com melhorias sustentáveis ao longo de semanas/meses.
O mais importante é procurar melhoria real no funcionamento, e não perfeição.
Qual a frequência ideal das consultas?
Não existe um “certo” universal. Muitas vezes:
- início: semanal ou quinzenal (para ganhar ritmo e criar consistência)
- estabilização: quinzenal ou mensal (manutenção e follow-up)
Com medicação, pode ser necessário acompanhamento mais próximo nas fases iniciais de ajuste.
É necessário ter consultas presenciais?
Nem sempre
Muitos adultos fazem acompanhamento online com bons resultados (sobretudo para psicoterapia e treino de competências).
Em alguns casos, a avaliação inicial presencial pode ser útil, mas o formato deve ser escolhido com base no que aumenta adesão e consistência.
O tratamento é feito por um psicólogo ou psiquiatra?
Muitas vezes, os dois em colaboração, dependendo do caso:
- Psicólogo/a: avaliação clínica, psicoterapia, estratégias, regulação emocional, organização e padrões de funcionamento;
- Psiquiatra: avaliação médica e prescrição/monitorização de medicação (quando indicada).
As recomendações apontam para abordagem integrada e multimodal, especialmente quando há impacto significativo.
Tratamento da PHDA em Coimbra: como podemos ajudar
Se suspeitas de PHDA (Défice de Atenção com ou sem Hiperatividade) e procuras tratamento, é natural que surjam dúvidas
“Preciso mesmo de avaliação?”
“O tratamento envolve medicação?”
“Como sei qual é o melhor caminho para mim?”
Na nossa clínica, o acompanhamento é pensado para ser rigoroso, personalizado e humanizado, porque tratar PHDA num adulto não implica, como muitas vezes se pode pensar, “mudar quem és”. É, sobretudo, sobre aprender a viver com mais clareza, menos caos interno e menos culpa.
Acreditamos num processo estruturado que pode envolver avaliação, plano, intervenção e follow-up, ou apenas os dois últimos quando já existe diagnóstico prévio, com opção de consulta presencial em Coimbra e consulta online, conforme seja mais adequado e/ou conveniente.
1) Avaliação de PHDA em Adultos: o primeiro passo para um plano adequado
Antes de iniciar o tratamento, é essencial fazer uma avaliação de PHDA em adultos.
Não só para confirmar (ou não) o diagnóstico, mas também porque muitos sintomas semelhantes podem surgir por outras causas, como:
- ansiedade e stress crónico;
- depressão e esgotamento (burnout);
- privação de sono / insónia;
- trauma e hipervigilância;
- dificuldades de regulação emocional;
- sobrecarga mental e excesso de estímulos digitais.
Ou seja: a avaliação não serve para “colocar rótulos”, serve para dar sentido ao que estás a viver e evitar caminhos desajustados.
Planos de avaliação de PHDA disponíveis (Coimbra)
Na nossa clínica, existem 3 opções de consulta / avaliação de PHDA em adultos, consoante a tua necessidade e o nível de formalização que procuras:
Opção 1: Consulta PHDA Adultos (Avaliação Psicológica)
Avaliação Psicológica de PHDA (2-3 sessões) – 180€
Ideal se procuras clarificar o diagnóstico e obter orientação clínica sem necessidade imediata de relatório.
Nota: este plano não inclui relatório; caso seja necessário, pode ser solicitado à posteriori.
Opção 2: Consulta PHDA Adultos (Avaliação Psicológica e Psiquiátrica)
Avaliação Psicológica (2-3 sessões) + Avaliação Psiquiátrica (1 sessão) – 270€
Recomendado quando faz sentido integrar desde início uma leitura psicológica e médica/psiquiátrica – especialmente se houver grande impacto no funcionamento, comorbilidades relevantes ou necessidade de discutir medicação.
Nota: neste formato, normalmente não é necessário relatório, porque a articulação clínica é feita diretamente entre profissionais da equipa, com consentimento do paciente.
Opção 3: Consulta PHDA Adultos (Avaliação Psicológica com Relatório de Avaliação)
Avaliação Psicológica de PHDA (2-3 sessões) + Relatório de Avaliação – 320€
Útil quando precisas de relatório (por exemplo para médico/a, universidade, contexto profissional, ou para organização do plano de intervenção com maior estrutura formal).
A avaliação pode ser presencial em Coimbra e/ou online, dependendo do tipo de instrumentos utilizados e do rigor clínico necessário. Em avaliações com testes mais estruturados, o presencial tende a ser preferível; noutros casos, o online pode ser uma boa opção.
2) Plano personalizado: o que significa “tratar” PHDA em adultos?
O tratamento da PHDA em adulto não é uma fórmula fixa.
É um plano construído à tua medida, com objetivos específicos e acompanhados ao longo do tempo.
Depois da avaliação, organizamos contigo:
- as principais dificuldades atuais (tempo, foco, procrastinação, memória, organização, impulsividade);
- os contextos onde a PHDA pesa mais (trabalho, estudos, relação, vida doméstica);
- o impacto emocional (autoexigência, vergonha, frustração, sensação de falhar);
- prioridades realistas (o que desbloqueia mais mudanças com menos desgaste).
3) Intervenção: psicoterapia, estratégias práticas e, quando indicado, psiquiatria
O tratamento da PHDA em adultos pode integrar diferentes pilares, conforme o teu perfil e necessidades:
Psicoterapia para PHDA em adultos (com foco em competências reais)
A psicoterapia (frequentemente com base em TCC adaptada à PHDA) ajuda a trabalhar:
- organização e rotinas sustentáveis;
- gestão do tempo e prioridades;
- procrastinação e bloqueios no início das tarefas;
- regulação emocional (irritação, explosões, impaciência);
- autoconceito e padrões de culpa (“eu devia conseguir…”).
A ideia não é “motivação infinita”.
É criar um sistema interno e externo que funcione mesmo nos dias difíceis.
Consulta de psiquiatria (quando necessário)
Em alguns casos, pode ser útil integrar avaliação psiquiátrica, sobretudo quando:
- há impacto elevado no funcionamento diário;
- existem comorbilidades relevantes;
- se considera medicação como parte do tratamento;
- é necessário um acompanhamento médico mais próximo.
A medicação, quando indicada, pode reduzir o “ruído” e facilitar a aplicação das estratégias aprendidas, mas a decisão é sempre individual, ponderada e acompanhada com cuidado.
4) Follow-up: manter ganhos e proteger-te das recaídas (quando a vida aperta)
Uma das realidades da PHDA é que há fases em que tudo parece estar controlado… até mudar alguma coisa:
- mais stress
- pior sono
- mais responsabilidades
- mudanças profissionais ou familiares
O follow-up existe para:
- consolidar melhorias
- ajustar estratégias ao longo do tempo
- evitar o efeito “reset total”
- reforçar autonomia e consistência
Muitas vezes, o objetivo final é este:
Não dependeres do modo “urgência” para conseguires funcionar.
Consulta de PHDA: presencial (em Coimbra) ou online?
Fazemos acompanhamento presencial em Coimbra e também online, quando apropriado.
O formato é escolhido com base no que aumenta consistência, adesão e resultados porque na PHDA, a regularidade é uma parte do tratamento.
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Autoras:

A Dra. Liliana Marques é psicóloga clínica e co-fundadora da Clínica de Psicologia O Teu Lugar. É também formadora e terapeuta EMDR.
Atua em áreas como: perturbações de humor (ansiedade, depressão), regulação emocional, perturbações da personalidade, trauma, luto e perda, relacionamento interpessoal, stress e burnout, desenvolvimento pessoal.

A Dra. Ana Fidalgo é psicóloga clínica e co-fundadora da Clínica de Psicologia O Teu Lugar. É também terapeuta EMDR, formadora e especialista em Sexologia, Terapia de Casal e Educação Afetivo-Sexual.
Atua em áreas como: Ansiedade, perda e crises existenciais (depressão, luto, vazio/falta de sentido), trauma, perturbações de personalidade, sexualidade e intimidade, relações, família e decisões de vida, entre outras.
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