Tratamento da PHDA em Adultos: Avaliação, Plano Terapêutico e Acompanhamento

Fev 4, 2026Psicologia, Medicação, Psicoterapia, Psiquiatria, Saúde Mental0 comments

tratamento phda adulto

Tratar a PHDA em adulto é, muitas vezes, aprender a lidar com um cérebro que funciona por intensidade, não por prioridade e construir um sistema (interno e externo) que ajude a vida a deixar de ser constantemente vivida em modo de urgência.

Quando falamos em tratamento, falamos de reduzir o impacto dos sintomas (desatenção, desorganização, impulsividade, instabilidade do foco), mas também de algo mais humano e profundo: recuperar margem, ganhar clareza, diminuir a culpa, sentir que a vida deixa de ser uma corrida atrás de si própria.

O plano é  sempre personalizado e pode combinar várias abordagens: psicoterapia, intervenção comportamental, estratégias de organização, psicoeducação, eventualmente medicação, e ajustes de estilo de vida. As recomendações clínicas internacionais sublinham precisamente esta lógica multimodal e adaptada à pessoa. 

Este é um artigo informativo sobre o tratamento da PHDA em adulto. Se pretendes agendar uma consulta / avaliação, visita a nossa página Consulta / Avaliação da PHDA em Adulto.

 

Primeiro passo: avaliação e plano personalizado

O tratamento começa com uma avaliação completa. E “completa” aqui significa: com tempo, com detalhe e com impacto funcional como guia.

Em geral, esta fase inclui:

  • História desde a infância/adolescência (mesmo que os sinais fossem subtis);
  • Dificuldades atuais por áreas: trabalho/estudos, rotinas, relações, gestão do tempo, sono;
  • Identificação de comorbilidades frequentes (ansiedade, depressão, burnout, sono, consumo, trauma) e diagnóstico diferencial;
  • Definição de objetivos concretos (não só “quero concentrar-me melhor”, mas em quê, quando, com que custo emocional?).

A partir daqui, constrói-se um plano terapêutico com:

  • Prioridades claras (o que dói mais e o que desbloqueia mais rapidamente o funcionamento);
  • Métricas observáveis (ex.: atrasos, tarefas concluídas, esquecimentos, conflitos por desorganização);
  • Acompanhamento regular e ajustes ao longo do tempo.

Isto está alinhado com recomendações como as do NICE, que enfatizam intervenção ajustada ao grau de impacto e à realidade da pessoa.

 

Os pilares do tratamento da PHDA em adultos

 

Abaixo deixamos os pilares mais comuns. Nem todos são necessários para todos e, em muitos casos, o segredo está na combinação certa (e não em “fazer tudo”).

 

1) Psicoterapia (especialmente TCC adaptada à PHDA)

Em que consiste

Uma psicoterapia focada em:

  • organização e planeamento realistas;
  • gestão do tempo e procrastinação;
  • regulação emocional (frustração, vergonha, explosões, impaciência);
  • padrões de autoexigência (“se eu tivesse força de vontade…”);
  • estratégias para lidar com distrações e iniciar tarefas.

Quando é indicada

  • quando a PHDA já está a afetar relações, trabalho, autoestima ou saúde mental;
  • quando há ansiedade/depressão associadas;
  • quando a pessoa quer mudanças sustentáveis (não só “dicas rápidas”).

Objetivo principal

Transformar a PHDA de “uma guerra diária” num funcionamento com estratégia.

Benefícios esperados

A evidência científica suporta a eficácia da TCC em adultos com PHDA na redução de sintomas e dificuldades associadas, com resultados também em funcionamento e regulação emocional.

 

2) Psicoeducação e treino de competências (skills training)

Em que consiste

Aprender como funciona a PHDA (sem moralizar) e desenvolver competências práticas:

  • priorização;
  • criação de rotinas;
  • “sistemas externos” (agenda, lembretes, listas, blocos de tempo);
  • reduzir decisões repetidas (“o que faço agora?”);
  • estratégias anti-procrastinação;

Pode ser individual ou em grupo.

Quando é indicada

  • quando há desorganização significativa e dificuldade em manter hábitos;
  • quando há “tudo na cabeça” e pouco “no sistema”;
  • como base para outros tratamentos (com ou sem medicação).

Objetivo principal

Construir uma vida menos dependente de motivação e mais apoiada por estrutura inteligente.

Benefícios esperados

Programas estruturados de treino de competências têm evidência em adultos, com melhorias em sintomas e funcionamento.

 

3) Medicação (quando indicada e acompanhada por médico)

Em que consiste

Medicação que atua nos mecanismos neurobiológicos associados à atenção e autorregulação.
Em adultos, as recomendações apontam frequentemente para estimulantes como primeira linha, quando há impacto clinicamente relevante.

Quando é indicada

  • quando os sintomas causam impacto significativo (trabalho, risco, relações, funcionamento diário);
  • quando estratégias comportamentais não são suficientes por si só;
  • quando existe capacidade para monitorização regular e ajustamentos.

Objetivo principal

Diminuir ruído interno, melhorar foco e reduzir impulsividade/desorganização para que as estratégias aprendidas funcionem.

Benefícios esperados

  • melhor atenção sustentada;
  • maior capacidade de iniciar e terminar tarefas;
  • menos “arranque difícil” e menos sensação de esforço extremo para tarefas simples.

Segundo o NICE, para adultos, lisdexanfetamina ou metilfenidato são opções de primeira linha (dependendo do caso e da disponibilidade/indicação clínica).
Em Portugal, a literatura clínica também discute estes fármacos e alternativas como a atomoxetina em situações de intolerância ou contraindicações aos estimulantes.

Nota importante: medicação é sempre decisão clínica individual, considerando história clínica, ansiedade, sono, tensão arterial, risco cardiovascular, e potencial de abuso.

 

4) Intervenções complementares com evidência (mindfulness, sono, estilo de vida)

Mindfulness (como ferramenta, não como “cura”)

Mindfulness pode ajudar sobretudo na autorregulação, reatividade emocional e relação com a distração. Há meta-análises que sugerem benefícios em sintomas e funcionamento, embora a qualidade dos estudos e os efeitos comparativos possam variar.

Sono, exercício e rotinas fisiológicas

São a base neurobiológica.
Sono irregular e privação de sono conseguem imitar ou amplificar sintomas de PHDA, por isso, muitas vezes, tratar PHDA também é tratar o terreno onde ela vive.

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Perguntas Frequentes sobre o Tratamento de PHDA em Adulto

Quais serão os benefícios do tratamento?

Depende do teu ponto de partida, mas os ganhos mais comuns são:

  • menos procrastinação e mais consistência;
  • menos culpa e maior autoeficácia;
  • menos caos mental e mais clareza prática;
  • melhoria no desempenho (sem te “queimares”);
  • menos conflito em casa e no trabalho.

E, muitas vezes, algo subtil mas transformador: sentires que és competente sem teres de sofrer para o provar.

Como saber se o tratamento está a resultar?

Sinais típicos:

  • Consegues começar tarefas com menos resistência;
  • Completas mais coisas “sem drama”;
  • Melhoras em prazos, esquecimentos e gestão de tempo;
  • Reduzes conflitos por falhas de organização;
  • Sentes menos exaustão mental no fim do dia.

Muitas equipas usam também escalas de monitorização e revisão regular de objetivos (muito útil para manter o tratamento “com direção”).

É possível tratar a PHDA sem medicação?

Sim, em muitos casos.
Sobretudo quando:

  • os sintomas são moderados;
  • há boa capacidade de implementar estratégias;
  • o foco do tratamento é funcionamento + regulação emocional + sistema de vida.

A psicoterapia (especialmente TCC adaptada) tem evidência na melhoria de sintomas e dificuldades associadas em adultos. 

Que tipo de medicação é utilizada no tratamento da PHDA nos adultos?

De forma geral, podem ser utilizados:

  • Estimulantes (ex.: metilfenidato, lisdexanfetamina)

  • Não estimulantes (ex.: atomoxetina)

As escolhas variam por perfil clínico, tolerância e comorbilidades.

Quanto tempo demora a ver melhorias?

Depende do tipo de intervenção:

  • Medicação: algumas pessoas notam efeitos mais rápidos, mas a otimização pode levar semanas com ajustes;

  • Psicoterapia/treino de competências: tende a ser gradual, com melhorias sustentáveis ao longo de semanas/meses.

O mais importante é procurar melhoria real no funcionamento, e não perfeição.

Qual a frequência ideal das consultas?

Não existe um “certo” universal. Muitas vezes:

  • início: semanal ou quinzenal (para ganhar ritmo e criar consistência)

  • estabilização: quinzenal ou mensal (manutenção e follow-up)

Com medicação, pode ser necessário acompanhamento mais próximo nas fases iniciais de ajuste.

É necessário ter consultas presenciais?

Nem sempre

Muitos adultos fazem acompanhamento online com bons resultados (sobretudo para psicoterapia e treino de competências).

Em alguns casos, a avaliação inicial presencial pode ser útil, mas o formato deve ser escolhido com base no que aumenta adesão e consistência.

O tratamento é feito por um psicólogo ou psiquiatra?

Muitas vezes, os dois em colaboração, dependendo do caso:

  • Psicólogo/a: avaliação clínica, psicoterapia, estratégias, regulação emocional, organização e padrões de funcionamento;

  • Psiquiatra: avaliação médica e prescrição/monitorização de medicação (quando indicada).

As recomendações apontam para abordagem integrada e multimodal, especialmente quando há impacto significativo. 

Tratamento da PHDA em Coimbra: como podemos ajudar

Se suspeitas de PHDA (Défice de Atenção com ou sem Hiperatividade) e procuras tratamento, é natural que surjam dúvidas

“Preciso mesmo de avaliação?”
“O tratamento envolve medicação?”
“Como sei qual é o melhor caminho para mim?”

Na nossa clínica, o acompanhamento é pensado para ser rigoroso, personalizado e humanizado, porque tratar PHDA num adulto não implica, como muitas vezes se pode pensar, “mudar quem és”. É, sobretudo, sobre aprender a viver com mais clareza, menos caos interno e menos culpa.

Acreditamos num processo estruturado que pode envolver avaliação,  plano,  intervenção e follow-up, ou apenas os dois últimos quando já existe diagnóstico prévio, com opção de consulta presencial em Coimbra e consulta online, conforme seja mais adequado e/ou conveniente.

1) Avaliação de PHDA em Adultos: o primeiro passo para um plano adequado

Antes de iniciar o tratamento, é essencial fazer uma avaliação de PHDA em adultos.
Não só para confirmar (ou não) o diagnóstico, mas também porque muitos sintomas semelhantes podem surgir por outras causas, como:

  • ansiedade e stress crónico;
  • depressão e esgotamento (burnout);
  • privação de sono / insónia;
  • trauma e hipervigilância;
  • dificuldades de regulação emocional;
  • sobrecarga mental e excesso de estímulos digitais.

Ou seja: a avaliação não serve para “colocar rótulos”, serve para dar sentido ao que estás a viver e evitar caminhos desajustados.

Planos de avaliação de PHDA disponíveis (Coimbra)

Na nossa clínica, existem 3 opções de consulta / avaliação de PHDA em adultos, consoante a tua necessidade e o nível de formalização que procuras:

 

Opção 1: Consulta PHDA Adultos (Avaliação Psicológica)

Avaliação Psicológica de PHDA (2-3 sessões)180€

Ideal se procuras clarificar o diagnóstico e obter orientação clínica sem necessidade imediata de relatório.

Nota: este plano não inclui relatório; caso seja necessário, pode ser solicitado à posteriori.

 

Opção 2: Consulta PHDA Adultos (Avaliação Psicológica e Psiquiátrica)

Avaliação Psicológica (2-3 sessões) + Avaliação Psiquiátrica (1 sessão)270€

Recomendado quando faz sentido integrar desde início uma leitura psicológica e médica/psiquiátrica – especialmente se houver grande impacto no funcionamento, comorbilidades relevantes ou necessidade de discutir medicação.

Nota: neste formato, normalmente não é necessário relatório, porque a articulação clínica é feita diretamente entre profissionais da equipa, com consentimento do paciente.

 

Opção 3: Consulta PHDA Adultos (Avaliação Psicológica com Relatório de Avaliação)

Avaliação Psicológica de PHDA (2-3 sessões) + Relatório de Avaliação320€

Útil quando precisas de relatório (por exemplo para médico/a, universidade, contexto profissional, ou para organização do plano de intervenção com maior estrutura formal).

 

A avaliação pode ser presencial em Coimbra e/ou online, dependendo do tipo de instrumentos utilizados e do rigor clínico necessário. Em avaliações com testes mais estruturados, o presencial tende a ser preferível; noutros casos, o online pode ser uma boa opção.

 

2) Plano personalizado: o que significa “tratar” PHDA em adultos?

O tratamento da PHDA em adulto não é uma fórmula fixa.
É um plano construído à tua medida, com objetivos específicos e acompanhados ao longo do tempo.

Depois da avaliação, organizamos contigo:

  • as principais dificuldades atuais (tempo, foco, procrastinação, memória, organização, impulsividade);
  • os contextos onde a PHDA pesa mais (trabalho, estudos, relação, vida doméstica);
  • o impacto emocional (autoexigência, vergonha, frustração, sensação de falhar);
  • prioridades realistas (o que desbloqueia mais mudanças com menos desgaste).

 

3) Intervenção: psicoterapia, estratégias práticas e, quando indicado, psiquiatria

O tratamento da PHDA em adultos pode integrar diferentes pilares, conforme o teu perfil e necessidades:

Psicoterapia para PHDA em adultos (com foco em competências reais)

A psicoterapia (frequentemente com base em TCC adaptada à PHDA) ajuda a trabalhar:

  • organização e rotinas sustentáveis;
  • gestão do tempo e prioridades;
  • procrastinação e bloqueios no início das tarefas;
  • regulação emocional (irritação, explosões, impaciência);
  • autoconceito e padrões de culpa (“eu devia conseguir…”).

A ideia não é “motivação infinita”.
É criar um sistema interno e externo que funcione mesmo nos dias difíceis.

Consulta de psiquiatria (quando necessário)

Em alguns casos, pode ser útil integrar avaliação psiquiátrica, sobretudo quando:

  • há impacto elevado no funcionamento diário;
  • existem comorbilidades relevantes;
  • se considera medicação como parte do tratamento;
  • é necessário um acompanhamento médico mais próximo.

A medicação, quando indicada, pode reduzir o “ruído” e facilitar a aplicação das estratégias aprendidas, mas a decisão é sempre individual, ponderada e acompanhada com cuidado.

 

4) Follow-up: manter ganhos e proteger-te das recaídas (quando a vida aperta)

Uma das realidades da PHDA é que há fases em que tudo parece estar controlado… até mudar alguma coisa:

  • mais stress
  • pior sono
  • mais responsabilidades
  • mudanças profissionais ou familiares

O follow-up existe para:

  • consolidar melhorias
  • ajustar estratégias ao longo do tempo
  • evitar o efeito “reset total”
  • reforçar autonomia e consistência

Muitas vezes, o objetivo final é este:
Não dependeres do modo “urgência” para conseguires funcionar.

Consulta de PHDA: presencial (em Coimbra) ou online?

Fazemos acompanhamento presencial em Coimbra e também online, quando apropriado.

O formato é escolhido com base no que aumenta consistência, adesão e resultados porque na PHDA, a regularidade é uma parte do tratamento.

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Autoras:

Liliana Marques - Psicóloga
Dr.ª Liliana Marques
Psicóloga
N.º da Cédula: 22932

A Dra. Liliana Marques é psicóloga clínica e co-fundadora da Clínica de Psicologia O Teu Lugar. É também formadora e terapeuta EMDR.

Atua em áreas como: perturbações de humor (ansiedade, depressão), regulação emocional, perturbações da personalidade, trauma, luto e perda, relacionamento interpessoal, stress e burnout, desenvolvimento pessoal.

Ana Fidalgo - Psicóloga e terapeuta EMDR
Dr.ª Ana Fidalgo
Psicóloga
N.º da Cédula: 20735

A Dra. Ana Fidalgo é psicóloga clínica e co-fundadora da Clínica de Psicologia O Teu Lugar. É também terapeuta EMDR, formadora e especialista em Sexologia, Terapia de Casal e Educação Afetivo-Sexual.

Atua em áreas como: Ansiedade, perda e crises existenciais (depressão, luto, vazio/falta de sentido), trauma, perturbações de personalidade,  sexualidade e intimidade, relações, família e decisões de vida, entre outras.

Referências Bibliográficas
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Psicoterapia / TCC para PHDA em adultos

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