A depressão é muito mais do que sentir tristeza. O que antes parecia simples torna-se pesado; o que dava prazer perde o seu propósito e motivação. Nesses períodos, é comum sentirmo-nos sozinhos, perdidos, e presos num sofrimento difícil de integrar.
A psicoterapia oferece um espaço seguro de orientação e descoberta, onde é possível explorar o que está a acontecer, compreender a origem do sofrimento, dar nome às tuas emoções e, consequentemente, desenvolver formas mais adaptativas de lidar com o que se está a passar; no fundo, reencontrar, dentro de ti, os fios que se conectam entre si e que te ligam a tudo aquilo que faz a vida valer a pena.
Compreender e Intervir na Depressão
Na depressão, a psicoterapia deve estar sempre associada a qualquer tipo de intervenção, sendo que, em muitos casos, deve ser considerado um recurso de primeira linha. A psicoterapia não pretende apenas estabilizar os sintomas, mas sim compreender a sua origem, o que está a manter a disfunção, quais os contextos onde o impacto é mais sentido e, no fundo, com isso, promover uma mudança gradual e efetiva ao longo do tempo, devolvendo a estrutura e os recursos necessários para a minimização do sofrimento psicológico, a promoção do bem-estar e de uma vida mais gratificante.
Por ser um processo que tem tanto de profundo como de subjetivo, é um lugar onde não haverá pressa nem tempo contado; o tempo de cada um é respeitado, sendo que o ritmo e a duração do processo vai sendo definido e reajustado sempre que necessário ao longo do percurso. Muitas vezes, a depressão surge de feridas profundas onde a pressa é inimiga da cura.
O corajoso primeiro passo de procurar ajuda, independentemente da severidade dos sintomas, é essencial: sempre que o sofrimento emocional está a ter um impacto significativo no teu bem-estar ou funcionamento, esse tem de ser o alarme que torna a procura inadiável. Deverás estar atento a sintomas como tristeza, ansiedade ou irritabilidade que persistem; perda de interesse/prazer nas atividades que anteriormente eram prazerosas; dificuldades no sono e apetite; problemas de concentração e desempenho; entre outros. Isto pode ser particularmente importante caso estejas a passar por um período exigente/de mudança e sentires que as exigências estão a ultrapassar os teus recursos/capacidades, e isso não é fraqueza! É consciência, aceitação, compromisso contigo e vontade de melhorar.
Nos casos mais severos/urgentes, é muito importante que saibas que, mesmo antes do primeiro passo, se existirem pensamentos de morte ou de autoagressão, não é para “esperar que melhore”: deves procurar ajuda imediata junto de um profissional de saúde qualificado, serviços de urgência ou linhas de apoio.
Cada caso deve ser compreendido como único; cada pessoa tem um sofrimento singular, com origens distintas, com diferentes impactos em vários contextos, e também com recursos internos e externos que podem representar uma boa estrutura ou reforçar experiências de desamparo.
Desta forma, apesar de a psicoterapia ser uma das intervenções mais eficazes, especialmente em casos ligeiros a moderados, deve ser tido em conta que, nos casos mais severos, pode ser necessária uma avaliação médica; ter o suporte de um médico especializado em saúde mental permite integrar a dimensão psicológica e biológica da depressão, e, no fundo, permitirá facilitar a estabilização dos sintomas através da intervenção farmacológica, quando a psicoterapia, de forma isolada, não consegue dar resposta. Em muitos destes casos, a combinação entre psiquiatria e psicologia revela-se a abordagem mais eficaz, adaptada às necessidades de cada pessoa.
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A Escolha de um Psicólogo e a Primeira Consulta
O primeiro passo requer outro ato de impacto tremendo: escolher um terapeuta. Às vezes, não corre bem “à primeira”. Na verdade, podemos ter pesquisado tudo sobre aquele profissional e, ainda assim, apesar de sentirmos que pode ser a abordagem que “faz match” com aquilo que precisamos, depois das primeiras consultas, percebemos que não nos sentimos assim tão conectados com aquela pessoa… E está tudo bem! As relações humanas são complexas, dependem de múltiplos fatores, e a relação terapêutica não é diferente.
Há, no entanto, algumas coisas que podemos ter em consideração e que facilitam “a triagem” inicial. Quando vamos escolher um psicólogo, é muito importante pensarmos sobre aquilo que procuramos, com base nas nossas preferências pessoais e no tipo de acompanhamento que sentimos que poderia ser útil para nós, e há algumas perguntas que devem orientar a nossa análise, tais como:
– Sentir-me-ia mais à vontade com um terapeuta homem ou mulher? Há alguma outra característica do terapeuta que seja importante para mim?
– Que tipo de abordagem poderia encaixar melhor nas minhas necessidades?
– Prefiro que a consulta seja online ou presencial?
– Há áreas de formação que eu sinta que é importante o meu terapeuta ter?
Se, em qualquer momento (ou mesmo depois de dar resposta a estas perguntas) houver dúvidas, é importante ter alguém que nos possa esclarecer e encaminhar; por vezes, as próprias clínicas podem ajudar logo no momento da primeira marcação, e assim poderás fazer uma escolha consciente, informada, e esclarecida.
Depois, as primeiras consultas servem, sobretudo, para alinharem objetivos e expectativas e, no fundo, para se conhecerem e perceberes como te sentes com o terapeuta que escolheste.
Quando abordarem o motivo que te trás à consulta, é importante que saibas que poderás fazê-lo ao teu ritmo e no teu tempo: o objetivo principal é compreender o que estás a viver, sem julgamentos ou opiniões vagas. O teu terapeuta vai explorar contigo há quanto tempo estão presentes os sintomas, como têm afetado o teu dia a dia, e que acontecimentos, perdas, relações ou contextos podem estar associados ao sofrimento atual. Também poderá ser importante explorar antecedentes pessoais e familiares, episódios anteriores de depressão ou ansiedade, medicação, saúde física, consumo de substâncias e rede de apoio.
A primeira consulta não exige que “saibas explicar tudo”. Muitas vezes, o que sentimos é difícil de traduzir em palavras, e precisamos do “terapeuta-interprete” para nos ajudar a legendar o que sentimos.

Como é que a Psicoterapia pode ajudar-te a recuperar o equilíbrio na Depressão
Viver com depressão pode fazer-nos acreditar que estamos desconectados de nós próprios, dos outros e daquilo que dá sentido à vida. No entanto, mesmo nos momentos em que tudo pesa, podemos compreender e acolher o nosso sofrimento, dar sentido ao que sentimos e, depois, construir um novo caminho mais próximo da tua verdade. A psicoterapia não oferece soluções instantâneas nem fórmulas mágicas, mas proporciona um espaço seguro onde é possível parar, escutar o que está a acontecer e reencontrar recursos que, por vezes, parecem perdidos.
Pedir ajuda é um ato de coragem e de compromisso contigo; embora o percurso possa exigir tempo e paciência, não tens de o fazer sozinho! N’O Teu Lugar temos uma equipa de psicólogos e psiquiatra especialistas em depressão que te podem ajudar. Dar o primeiro passo pode ser o início de uma relação mais compassiva contigo próprio e de uma vida mais alinhada com aquilo que é importante para ti.
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Autora:

A Dra. Liliana Marques é psicóloga clínica e co-fundadora da Clínica de Psicologia O Teu Lugar. É também formadora e terapeuta EMDR.
Atua em áreas como: perturbações de humor (ansiedade, depressão), regulação emocional, perturbações da personalidade, trauma, luto e perda, relacionamento interpessoal, stress e burnout, desenvolvimento pessoal.


