Durante muitos anos, a PHDA foi pensada sobretudo como uma condição da infância, muitas vezes associada a rapazes “hiperativos”. Hoje sabemos que muitas mulheres chegam à idade adulta sem diagnóstico, depois de anos a compensar, a esforçar-se em silêncio e a sentir que “qualquer coisa não bate certo”.
A PHDA em mulheres adultas tende a ser mais interna, menos visível e, por isso, frequentemente subdiagnosticada. Este artigo ajuda a perceber como se manifesta, qual o impacto no dia-a-dia e quando faz sentido procurar uma avaliação e acompanhamento especializados.
O que é a PHDA e qual a sua prevalência em adultos?
A PHDA (Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção) é uma condição do neurodesenvolvimento que pode acompanhar a pessoa ao longo da vida, afetando sobretudo a atenção, a impulsividade, a auto-organização e a regulação do esforço.
Estudos internacionais apontam para uma prevalência de PHDA persistente em adultos em torno dos ~2,5–3%. Em Portugal, especialistas estimam que a PHDA afete cerca de 1,5–3% da população adulta.
Nota importante: isto não significa que “toda a distração” seja PHDA. Significa que existe um grupo relevante de adultos para quem estes padrões são persistentes, antigos e com impacto real na vida pessoal, profissional e emocional.
Como se manifesta a PHDA em mulheres adultas?
Em mulheres, a PHDA tende a aparecer menos como hiperatividade visível e mais como um conjunto de dificuldades internas, muitas vezes acompanhadas de ansiedade, autocriticismo e exaustão.
1. Sinais comuns de desatenção na mulher adulta
- Dificuldade em manter foco, sobretudo em tarefas longas ou monótonas;
- Dificuldade em terminar tarefas (apesar de começar muitas);
- Esquecimentos frequentes (prazos, compromissos, objetos);
- Dificuldade em organizar prioridades e gerir o tempo;
- Ler e reler sem conseguir reter informação.
2. Hiperatividade e impulsividade: mais internas, mais subtis
- Inquietação interna, pressa constante, dificuldade em desligar;
- Impaciência (reuniões longas, filas, espera);
- Decisões de impulso frequentes;
- Oscilações entre “hiperfoco” e “bloqueio total”.
Em muitas mulheres, estas dificuldades são camufladas por perfeccionismo, controlo excessivo e esforço contínuo, o que atrasa o reconhecimento do problema e a procura de ajuda.

Impacto da PHDA na vida da mulher adulta
A PHDA não afeta apenas a produtividade. Afeta também a forma como a mulher se vê a si própria e se relaciona com os outros.
Áreas frequentemente impactadas:
- Trabalho e estudos: inconsistência, atrasos, exaustão por compensação;
- Relações: esquecimentos interpretados como desinteresse, conflitos, reatividade;
- Autoimagem: vergonha, sensação de “falhar no básico”, autoexigência elevada.
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Como é feita a avaliação da PHDA em mulheres adultas?
Avaliar PHDA implica integrar diferentes dimensões clínicas: a história de vida, os padrões que se repetem ao longo do tempo, o contexto atual, a presença de comorbilidades e o impacto concreto no dia-a-dia e nas várias dimensões de vida (ex. relações e família, interação social, tempo livre, estudo/trabalho, autoestima), e na sua funcionalidade.
A avaliação de PHDA na mulher inclui:
- Entrevista clínica detalhada sobre as queixas e funcionamento atual;
- História do neurodesenvolvimento (infância/adolescência, escola, família / casa);
- Evidência de persistência e transversalidade (impacto em mais do que um contexto)
- Rastreio de diagnósticos diferenciais e comorbilidades (ansiedade, depressão, burnout, trauma, sono, etc.);
- Quando útil, questionários e instrumentos psicométricos validados e/ou informação complementar (ex.: dados escolares, relatos de alguém próximo)
Embora muitas mulheres só reconheçam o padrão em adulto, os critérios clínicos habitualmente exigem sinais desde a infância (antes dos 12 anos), mesmo que tenham sido mascarados durante anos.
Geralmente, a avaliação de PHDA é feita através de 2 a 3 sessões de avaliação psicológica e, quando necessário, 1 sessão de avaliação psiquiátrica adicional.
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Tratamento da PHDA na mulher adulta: em que consiste?
O tratamento da PHDA não é “uma receita única”. É um plano adaptado à vida real, com objetivos concretos.
Ele pode incluir:
1) Psicoeducação
Compreender como funciona a atenção, quais os gatilhos e onde está o desgaste (ou, pelo contrário, o que ajuda), ajuda a reduzir culpa e aumentar capacidade de escolha.
2) Estratégias práticas para funções executivas
- Gestão do tempo externa e visível;
- Planeamento realista e priorização;
- Rotinas mínimas (não perfeitas);
- Organização do ambiente para reduzir fricção;
- Ferramentas de apoio (listas, lembretes inteligentes, blocos de foco)
3) Psicoterapia
Para trabalhar:
- vergonha e autocriticismo (“sou incapaz”, “sou preguiçosa”);
- ansiedade por compensação (“se eu não controlar tudo, falho”);
- padrões de evitamento, procrastinação e auto-sabotagem;
- conflitos em casa e no trabalho.
4) Medicação (quando indicada) e acompanhamento médico
Quando há indicação clínica, a medicação pode ajudar na base neurobiológica da atenção e impulsividade, permitindo que o trabalho terapêutico tenha mais sustentação. A decisão é sempre médica.
Quando procurar ajuda?
Faz sentido qualquer mulher procurar uma avaliação de PHDA quando:
- As dificuldades são antigas e persistentes;
- O esforço para “funcionar” é desproporcional;
- Há impacto significativo no trabalho, nas relações ou no bem-estar;
- Já tentou “organizar-se melhor” inúmeras vezes sem resultados consistentes.
Mesmo quando o resultado não é PHDA, a avaliação continua a ser útil: permite encontrar a explicação mais ajustada (ansiedade, burnout, depressão, perturbações do sono, sobrecarga) e definir um plano coerente, sem rótulos desnecessários.
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Autoras:

A Dra. Liliana Marques é psicóloga clínica e co-fundadora da Clínica de Psicologia O Teu Lugar. É também formadora e terapeuta EMDR.
Atua em áreas como: perturbações de humor (ansiedade, depressão), regulação emocional, perturbações da personalidade, trauma, luto e perda, relacionamento interpessoal, stress e burnout, desenvolvimento pessoal.

A Dra. Ana Fidalgo é psicóloga clínica e co-fundadora da Clínica de Psicologia O Teu Lugar. É também terapeuta EMDR, formadora e especialista em Sexologia, Terapia de Casal e Educação Afetivo-Sexual.
Atua em áreas como: Ansiedade, perda e crises existenciais (depressão, luto, vazio/falta de sentido), trauma, perturbações de personalidade, sexualidade e intimidade, relações, família e decisões de vida, entre outras.


