PHDA em Mulheres Adultas: sintomas, avaliação e tratamento

Mar 7, 2026Psicologia, Medicação, Psicoterapia, Psiquiatria, Saúde Mental0 comments

phda mulher adulta

Durante muitos anos, a PHDA foi pensada sobretudo como uma condição da infância, muitas vezes associada a rapazes “hiperativos”. Hoje sabemos que muitas mulheres chegam à idade adulta sem diagnóstico, depois de anos a compensar, a esforçar-se em silêncio e a sentir que “qualquer coisa não bate certo”.

A PHDA em mulheres adultas tende a ser mais interna, menos visível e, por isso, frequentemente subdiagnosticada. Este artigo ajuda a perceber como se manifesta, qual o impacto no dia-a-dia e quando faz sentido procurar uma avaliação e acompanhamento especializados.

O que é a PHDA e qual a sua prevalência em adultos?

A PHDA (Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção) é uma condição do neurodesenvolvimento que pode acompanhar a pessoa ao longo da vida, afetando sobretudo a atenção, a impulsividade, a auto-organização e a regulação do esforço.

Estudos internacionais apontam para uma prevalência de PHDA persistente em adultos em torno dos ~2,5–3%. Em Portugal, especialistas estimam que a PHDA afete cerca de 1,5–3% da população adulta.

Nota importante: isto não significa que “toda a distração” seja PHDA. Significa que existe um grupo relevante de adultos para quem estes padrões são persistentes, antigos e com impacto real na vida pessoal, profissional e emocional.

Como se manifesta a PHDA em mulheres adultas?

Em mulheres, a PHDA tende a aparecer menos como hiperatividade visível e mais como um conjunto de dificuldades internas, muitas vezes acompanhadas de ansiedade, autocriticismo e exaustão.

1. Sinais comuns de desatenção na mulher adulta

  • Dificuldade em manter foco, sobretudo em tarefas longas ou monótonas;
  • Dificuldade em terminar tarefas (apesar de começar muitas);
  • Esquecimentos frequentes (prazos, compromissos, objetos);
  • Dificuldade em organizar prioridades e gerir o tempo;
  • Ler e reler sem conseguir reter informação.

2. Hiperatividade e impulsividade: mais internas, mais subtis

  • Inquietação interna, pressa constante, dificuldade em desligar;
  • Impaciência (reuniões longas, filas, espera);
  • Decisões de impulso frequentes;
  • Oscilações entre “hiperfoco” e “bloqueio total”.

Em muitas mulheres, estas dificuldades são camufladas por perfeccionismo, controlo excessivo e esforço contínuo, o que atrasa o reconhecimento do problema e a procura de ajuda.

mulher com dificuldades em concentração

Impacto da PHDA na vida da mulher adulta

A PHDA não afeta apenas a produtividade. Afeta também a forma como a mulher se vê a si própria e se relaciona com os outros.

Áreas frequentemente impactadas:

  • Trabalho e estudos: inconsistência, atrasos, exaustão por compensação;

  • Relações: esquecimentos interpretados como desinteresse, conflitos, reatividade;
  • Autoimagem: vergonha, sensação de “falhar no básico”, autoexigência elevada.

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Como é feita a avaliação da PHDA em mulheres adultas?

Avaliar PHDA implica integrar diferentes dimensões clínicas: a história de vida, os padrões que se repetem ao longo do tempo, o contexto atual, a presença de comorbilidades e o impacto concreto no dia-a-dia e nas várias dimensões de vida (ex. relações e família, interação social, tempo livre, estudo/trabalho, autoestima), e na sua funcionalidade.

A avaliação de PHDA na mulher inclui:

  • Entrevista clínica detalhada sobre as queixas e funcionamento atual;
  • História do neurodesenvolvimento (infância/adolescência, escola, família / casa);
  • Evidência de persistência e transversalidade (impacto em mais do que um contexto)
  • Rastreio de diagnósticos diferenciais e comorbilidades (ansiedade, depressão, burnout, trauma, sono, etc.);
  • Quando útil, questionários e instrumentos psicométricos validados e/ou informação complementar (ex.: dados escolares, relatos de alguém próximo)

Embora muitas mulheres só reconheçam o padrão em adulto, os critérios clínicos habitualmente exigem sinais desde a infância (antes dos 12 anos), mesmo que tenham sido mascarados durante anos.

Geralmente, a avaliação de PHDA é feita através de 2 a 3 sessões de avaliação psicológica e, quando necessário, 1 sessão de avaliação psiquiátrica adicional.

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Tratamento da PHDA na mulher adulta: em que consiste?

O tratamento da PHDA não é “uma receita única”. É um plano adaptado à vida real, com objetivos concretos.

Ele pode incluir:

1) Psicoeducação

Compreender como funciona a atenção, quais os gatilhos e onde está o desgaste (ou, pelo contrário, o que ajuda), ajuda a reduzir culpa e aumentar capacidade de escolha.

2) Estratégias práticas para funções executivas

  • Gestão do tempo externa e visível;
  • Planeamento realista e priorização;
  • Rotinas mínimas (não perfeitas);
  • Organização do ambiente para reduzir fricção;
  • Ferramentas de apoio (listas, lembretes inteligentes, blocos de foco)

3) Psicoterapia

Para trabalhar:

  • vergonha e autocriticismo (“sou incapaz”, “sou preguiçosa”);
  • ansiedade por compensação (“se eu não controlar tudo, falho”);
  • padrões de evitamento, procrastinação e auto-sabotagem;
  • conflitos em casa e no trabalho.

4) Medicação (quando indicada) e acompanhamento médico

Quando há indicação clínica, a medicação pode ajudar na base neurobiológica da atenção e impulsividade, permitindo que o trabalho terapêutico tenha mais sustentação. A decisão é sempre médica.

Quando procurar ajuda?

Faz sentido qualquer mulher procurar uma avaliação de PHDA quando:

  • As dificuldades são antigas e persistentes;
  • O esforço para “funcionar” é desproporcional;
  • Há impacto significativo no trabalho, nas relações ou no bem-estar;
  • Já tentou “organizar-se melhor” inúmeras vezes sem resultados consistentes.

Mesmo quando o resultado não é PHDA, a avaliação continua a ser útil: permite encontrar a explicação mais ajustada (ansiedade, burnout, depressão, perturbações do sono, sobrecarga) e definir um plano coerente, sem rótulos desnecessários.

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Autoras:

Liliana Marques - Psicóloga
Dr.ª Liliana Marques
Psicóloga
N.º da Cédula: 22932

A Dra. Liliana Marques é psicóloga clínica e co-fundadora da Clínica de Psicologia O Teu Lugar. É também formadora e terapeuta EMDR.

Atua em áreas como: perturbações de humor (ansiedade, depressão), regulação emocional, perturbações da personalidade, trauma, luto e perda, relacionamento interpessoal, stress e burnout, desenvolvimento pessoal.

Ana Fidalgo - Psicóloga e terapeuta EMDR
Dr.ª Ana Fidalgo
Psicóloga
N.º da Cédula: 20735

A Dra. Ana Fidalgo é psicóloga clínica e co-fundadora da Clínica de Psicologia O Teu Lugar. É também terapeuta EMDR, formadora e especialista em Sexologia, Terapia de Casal e Educação Afetivo-Sexual.

Atua em áreas como: Ansiedade, perda e crises existenciais (depressão, luto, vazio/falta de sentido), trauma, perturbações de personalidade,  sexualidade e intimidade, relações, família e decisões de vida, entre outras.

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