Psicoterapia para a ansiedade: como funciona e quando procurar ajuda

Set 5, 2026Ansiedade, Psicologia, Psicoterapia0 comments

Pessoa numa sessão de psicoterapia para ansiedade

A ansiedade pode manifestar-se através de preocupação constante, tensão física, dificuldade em dormir, medo de perder o controlo, ataques de pânico ou necessidade de evitar determinadas situações. Mesmo quando a pessoa reconhece racionalmente que o perigo não é tão grande como parece, o corpo e a mente podem continuar a reagir como se fosse necessário proteger-se.

A psicoterapia para a ansiedade ajuda a compreender esta resposta, identificar aquilo que a ativa e modificar os padrões que a mantêm. Dependendo das necessidades de cada pessoa, pode envolver exploração emocional, compreensão da história pessoal, trabalho sobre pensamentos e crenças, exposição gradual a situações temidas, desenvolvimento de competências de regulação emocional e mudança de padrões relacionais ou comportamentais.

A psicoterapia não procura nem poderia eliminar toda a ansiedade. A ansiedade é uma resposta humana necessária. O objetivo é ajudá-la a regressar a uma intensidade proporcional, para que deixe de controlar decisões, relações, trabalho e atividades quotidianas.

A investigação mostra que as intervenções psicológicas podem reduzir significativamente os sintomas de ansiedade.

O que é a psicoterapia para a ansiedade?

A psicoterapia é um processo clínico realizado por um profissional com formação adequada, num contexto seguro e confidencial, de forma regular. Não se limita a conversar sobre aquilo que aconteceu durante a semana. A conversa é uma das suas ferramentas, mas serve para observar e transformar padrões que, muitas vezes, são difíceis de reconhecer quando estamos dentro deles.

Na ansiedade, o processo pode ajudar a compreender:

  • Porque determinadas situações provocam uma resposta de alarme tão intensa;
  • Como os pensamentos, as emoções, o corpo e os comportamentos se influenciam;
  • Que experiências anteriores contribuíram para a forma atual de lidar com ameaça e incerteza;
  • Que situações estão a ser evitadas;
  • Que estratégias proporcionam alívio imediato, mas mantêm a ansiedade a longo prazo;
  • Como recuperar confiança para agir apesar do desconforto;
  • Como construir uma relação mais segura com as emoções e com o próprio corpo.

A psicoterapia deve ser adaptada ao tipo de ansiedade, à sua intensidade, à história da pessoa e à existência de outras dificuldades, como depressão, trauma, problemas de sono, obsessões, dificuldades relacionais ou consumo de substâncias.

Como funciona a psicoterapia no tratamento da ansiedade?

Embora o processo varie de acordo com a abordagem do psicólogo, existem algumas etapas comuns.

1. Compreender o que está a acontecer

Nas primeiras consultas, o psicólogo procura perceber:

  • Quais são os sintomas;
  • Quando começaram;
  • Em que situações surgem;
  • Como interferem com a vida diária;
  • O que a pessoa faz para tentar controlá-los;
  • Que situações ou sensações evita;
  • Que acontecimentos recentes ou antigos podem ser relevantes;
  • Que outros problemas psicológicos ou físicos estão presentes;
  • Quais são os objetivos da pessoa.

Esta avaliação serve para construir uma compreensão individualizada do problema.

Duas pessoas podem ter ataques de pânico semelhantes e, ainda assim, precisar de intervenções diferentes. Uma pode ter desenvolvido medo das sensações corporais depois de um problema de saúde. Outra pode estar a viver um período de sobrecarga, luto ou conflito relacional. Outra poderá ter começado a evitar progressivamente determinados lugares depois de uma primeira crise inesperada.

2. Construir uma explicação para o ciclo da ansiedade

Um dos primeiros passos costuma ser compreender como a ansiedade se mantém.

De forma simplificada, o ciclo pode envolver:

Situação ou sensação

Interpretação de ameaça

Ativação física e emocional

Evitamento, controlo ou procura de segurança

Alívio imediato

Reforço da ideia de que a situação era perigosa

Por exemplo, uma pessoa sente o coração acelerar e pensa: “Vou desmaiar.” A interpretação aumenta o medo e acelera ainda mais o coração. A pessoa sai imediatamente do local e sente alívio.

Esse alívio parece confirmar que sair foi necessário. Na próxima vez, o corpo torna-se ainda mais sensível a qualquer alteração do ritmo cardíaco.

A psicoterapia ajuda a interromper este ciclo em vários pontos.

3. Reconhecer pensamentos e interpretações ansiosas

A ansiedade tende a sobrevalorizar a probabilidade de perigo e a subestimar a capacidade de lidar com aquilo que pode acontecer.

Entre os pensamentos frequentes encontram-se:

  • “Não vou conseguir.”
  • “Alguma coisa má vai acontecer.”
  • “Vou perder o controlo.”
  • “As pessoas vão reparar que estou ansiosa/o.”
  • “Se cometer um erro, será insuportável.”
  • “Preciso de ter a certeza antes de decidir.”
  • “Esta sensação significa que estou em perigo.”

O objetivo não é substituir todos os pensamentos negativos por pensamentos positivos. É aprender a avaliá-los com maior flexibilidade:

  • Que evidência apoia esta previsão?
  • Estou a confundir uma possibilidade com uma certeza?
  • O que temo que aconteça a seguir?
  • Como tenho lidado com situações difíceis no passado?
  • O que faria se não precisasse de eliminar toda a incerteza?
  • Este pensamento está a informar-me ou apenas a repetir o alarme?

Noutras abordagens, o trabalho pode centrar-se menos em discutir o conteúdo do pensamento e mais em modificar a relação com ele: reconhecê-lo como um acontecimento mental, sem sentir que é necessário obedecer-lhe.

4. Trabalhar a resposta corporal

A ansiedade não existe apenas nos pensamentos. É também uma experiência física.

A psicoterapia pode incluir estratégias para:

  • Reconhecer os primeiros sinais de ativação;
  • Regular a respiração sem a transformar numa necessidade de controlo;
  • Diminuir tensão muscular;
  • Orientar a atenção para o presente;
  • Compreender sensações como palpitações, tonturas ou falta de ar;
  • Aumentar a tolerância ao desconforto físico;
  • Recuperar confiança no corpo.

É importante que estas estratégias não se tornem novas regras rígidas, como acreditar que só é possível enfrentar uma situação quando o corpo está completamente calmo.

O objetivo não é garantir que a pessoa nunca sente ansiedade, mas ajudá-la a perceber que consegue atravessá-la sem estar necessariamente em perigo.

5. Reduzir o evitamento

O evitamento é uma das principais formas através das quais a ansiedade se mantém.

A pessoa pode evitar:

  • Conduzir;
  • Utilizar transportes públicos;
  • Permanecer sozinha;
  • Falar em público;
  • Conhecer pessoas;
  • Fazer chamadas;
  • Ir a consultas médicas;
  • Estar em espaços fechados;
  • Tomar decisões;
  • Confrontar alguém;
  • Sentir determinadas emoções;
  • Pensar sobre assuntos que provocam desconforto.

Também existem formas de evitamento menos visíveis, frequentemente chamadas comportamentos de segurança:

  • Verificar constantemente o corpo;
  • Sentar-se sempre perto de uma saída;
  • Levar medicação “por precaução”, mesmo quando não é necessária;
  • Ensaiar mentalmente todas as frases antes de falar;
  • Pedir repetidamente garantias;
  • Pesquisar sintomas durante horas;
  • Depender sempre de outra pessoa para enfrentar uma situação;
  • Tentar controlar todos os detalhes.

Estas estratégias podem diminuir o desconforto no momento, mas impedem a pessoa de descobrir que conseguiria lidar com a situação sem elas.

6. Aproximar-se gradualmente do que provoca medo

Em muitas perturbações de ansiedade, a psicoterapia inclui alguma forma de exposição gradual.

Exposição não significa obrigar a pessoa a enfrentar o seu maior medo sem preparação. Significa aproximar-se, de forma planeada e colaborativa, de situações, pensamentos ou sensações que têm sido evitados.

Pode envolver:

  • Permanecer um pouco mais numa situação social;
  • Conduzir progressivamente em percursos mais exigentes;
  • Entrar num elevador;
  • Fazer uma apresentação;
  • Permitir que o coração acelere durante exercício;
  • Adiar uma verificação;
  • Tomar uma decisão sem garantia absoluta;
  • Iniciar uma conversa que tem sido evitada;
  • Permitir a presença de um pensamento sem tentar neutralizá-lo.

A experiência permite ao cérebro atualizar aquilo que espera: a situação pode ser desconfortável, mas não produz necessariamente a catástrofe antecipada.

A exposição é uma componente especialmente importante nos tratamentos cognitivo-comportamentais da perturbação de pânico, ansiedade social, fobias e perturbação obsessivo-compulsiva. As recomendações clínicas para a ansiedade social, por exemplo, incluem experiências comportamentais e exposição dentro e fora das sessões.

7. Compreender padrões emocionais e relacionais

Nem toda a ansiedade é mantida apenas por pensamentos de perigo ou comportamentos de evitamento.

Por vezes, está relacionada com:

  • Medo de desiludir;
  • Dificuldade em estabelecer limites;
  • Necessidade intensa de aprovação;
  • Relações imprevisíveis;
  • Experiências de crítica, rejeição ou abandono;
  • Dificuldade em reconhecer e expressar emoções;
  • Padrões de exigência e perfecionismo;
  • Conflitos entre aquilo que a pessoa deseja e aquilo que acredita que deveria desejar;
  • Experiências passadas que continuam a influenciar as relações atuais.

Nestes casos, a psicoterapia pode ajudar a compreender como esses padrões foram construídos e de que forma se repetem. Procura aumentar a consciência e a liberdade de escolha perante respostas que se tornaram automáticas.

8. Praticar fora das sessões

Uma parte importante da mudança acontece entre consultas.

Dependendo da abordagem, o psicólogo pode propor:

  • Registar situações de ansiedade;
  • Observar pensamentos e reações corporais;
  • Realizar experiências comportamentais;
  • Praticar exposição gradual;
  • Desenvolver novas rotinas;
  • Experimentar formas diferentes de comunicar;
  • Trabalhar a atenção e a autocompaixão;
  • Testar limites;
  • Praticar estratégias de regulação emocional.

Estas propostas não têm o objetivo de ser como trabalhos de casa avaliados, servindo para transportar aquilo que é compreendido na consulta para situações reais.

A psicoterapia para a ansiedade funciona?

A psicoterapia é uma das principais formas de tratamento das perturbações de ansiedade.

A sua eficácia depende de vários fatores:

  • Tipo e gravidade da ansiedade;
  • Existência de outras condições;
  • Adequação da intervenção;
  • Experiência do profissional;
  • Participação da pessoa;
  • Qualidade da relação terapêutica;
  • Regularidade das sessões;
  • Possibilidade de aplicar o que é trabalhado;
  • Acontecimentos de vida durante o acompanhamento.

A relação terapêutica é extremamente relevante, o que é suportado pela investigação: existe uma associação consistente entre a qualidade da aliança terapêutica e os resultados da psicoterapia.

Como perceber se a psicoterapia está a resultar?

Melhorar não significa necessariamente deixar de sentir ansiedade de um momento para o outro.

Alguns sinais de progresso podem incluir:

  • Reconhecer mais cedo aquilo que está a acontecer;
  • Recuperar mais depressa depois de um momento de ansiedade;
  • Evitar menos situações;
  • Reduzir a necessidade de garantias;
  • Tolerar melhor a incerteza;
  • Conseguir tomar decisões apesar do medo;
  • Interpretar as sensações físicas de forma menos catastrófica;
  • Dormir melhor;
  • Regressar a atividades importantes;
  • Estabelecer limites;
  • Sentir maior confiança para lidar com futuras dificuldades;
  • Compreender os próprios padrões com menor autocrítica.

Os sintomas podem oscilar ao longo do processo. Uma semana mais difícil não significa necessariamente que a terapia deixou de funcionar.

O progresso deve ser revisto regularmente. Se não existir mudança, é importante conversar sobre:

  • Os objetivos definidos;
  • A frequência das consultas;
  • A abordagem utilizada;
  • Possíveis dificuldades na relação terapêutica;
  • Fatores externos que estejam a interferir;
  • Necessidade de avaliação médica ou psiquiátrica;
  • Eventual encaminhamento para outro profissional mais adequado às necessidades.
Mulher a refletir e a escrever durante o acompanhamento psicológico

Quanto tempo dura a psicoterapia para a ansiedade?

Não existe uma duração universal.

Algumas intervenções são breves e estruturadas. Outras precisam de mais tempo, sobretudo quando a ansiedade:

  • Está presente há muitos anos;
  • Envolve diferentes áreas da vida;
  • Está associada a trauma ou depressão;
  • Surge em conjunto com dificuldades relacionais;
  • É acompanhada por padrões de personalidade rígidos;
  • Levou a um evitamento muito extenso;
  • Tem várias causas e fatores de manutenção;
  • Se intensifica perante mudanças ou situações de vida complexas.

N’O Teu Lugar, a frequência e a duração do acompanhamento são definidas em conjunto e revistas ao longo do processo. As sessões individuais têm geralmente entre 45 e 60 minutos.

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FAQs

Perguntas frequentes sobre a Psicoterapia para a Ansiedade

Psicoterapia ou medicação: qual é a diferença?

Psicoterapia e medicação podem ser utilizadas isoladamente ou em conjunto, dependendo do problema, da sua gravidade e das preferências da pessoa.

O que faz a psicoterapia?

A psicoterapia trabalha os processos psicológicos e comportamentais relacionados com a ansiedade, como:

  • Interpretações de ameaça;
  • Preocupação e ruminação;
  • Evitamento;
  • Medo das sensações corporais;
  • Necessidade de controlo;
  • Dificuldade em tolerar incerteza;
  • Padrões emocionais e relacionais;
  • Crenças sobre si próprio e sobre os outros.

Procura também desenvolver recursos que a pessoa possa continuar a utilizar depois de terminar o acompanhamento.

O que faz a medicação?

A medicação pode reduzir sintomas como:

  • Ansiedade intensa;
  • Ataques de pânico;
  • Agitação;
  • Alterações do sono;
  • Sintomas depressivos associados;
  • Ativação física persistente.

A escolha do medicamento, a avaliação de efeitos secundários, as interações e a duração do tratamento devem ser acompanhadas por um médico.

Na ansiedade generalizada com impacto significativo, as recomendações clínicas consideram tanto uma intervenção psicológica de elevada intensidade como o tratamento farmacológico, devendo a escolha ter em conta as preferências da pessoa, os benefícios, os riscos e os tratamentos anteriores. O NICE refere que não existe evidência de que uma destas modalidades seja universalmente superior à outra em todos os casos de ansiedade generalizada.

Quando pode ser útil combinar as duas?

A combinação pode fazer sentido quando:

  • Os sintomas são muito intensos;
  • A pessoa tem dificuldade em participar na psicoterapia devido à ansiedade;
  • Existe depressão associada;
  • O sono está gravemente afetado;
  • Há ataques de pânico frequentes;
  • Uma intervenção isolada não produziu melhoria suficiente;
  • Existe risco clínico;
  • Há outras condições psiquiátricas.

A decisão deve ser individualizada. Algumas pessoas beneficiam apenas da psicoterapia. Outras beneficiam inicialmente da medicação e, mais tarde, conseguem reduzi-la sob orientação médica. Outras necessitam de acompanhamento combinado durante períodos mais prolongados.

A medicação não deve ser iniciada, alterada ou interrompida sem aconselhamento médico.

Quando procurar psicoterapia para a ansiedade?

Não é necessário esperar que a ansiedade se torne incapacitante.

Pode fazer sentido procurar ajuda quando:

  • A preocupação é difícil de controlar;
  • Sentes que estás permanentemente em alerta;
  • Tens ataques de ansiedade ou pânico;
  • Evitas lugares, atividades ou pessoas;
  • Precisas frequentemente de garantias;
  • Tens medo intenso de ser avaliado;
  • O sono está afetado;
  • A ansiedade interfere com o trabalho ou os estudos;
  • Sentes sintomas físicos recorrentes;
  • Tens dificuldade em tomar decisões;
  • O medo está a limitar a tua autonomia;
  • Recorres a álcool, comida, medicação ou outros comportamentos para regular o desconforto;
  • Tens pensamentos obsessivos ou comportamentos compulsivos;
  • A ansiedade está associada a depressão, desesperança ou isolamento;
  • Já tentaste gerir o problema sozinha/o, mas os sintomas continuam a regressar.

Também podes procurar psicoterapia quando ainda manténs o teu funcionamento quotidiano, mas percebes que o esforço necessário para o fazer se tornou demasiado elevado.

O grau de sofrimento não é medido apenas por aquilo que uma pessoa consegue fazer. Algumas pessoas continuam a trabalhar, cuidar da família e cumprir todas as obrigações, mas vivem internamente num estado permanente de tensão e exaustão.

É necessário ter um diagnóstico para iniciar psicoterapia?

Não.

Muitas pessoas procuram acompanhamento porque sentem ansiedade, preocupação, tensão ou medo, sem saber se preenchem os critérios para uma perturbação específica.

A avaliação inicial ajuda a perceber:

  • Se a ansiedade está dentro de uma resposta expectável a uma situação de vida;
  • Se existe uma perturbação de ansiedade;
  • Se os sintomas podem estar relacionados com outra dificuldade;
  • Se é necessária avaliação médica;
  • Que tipo de acompanhamento poderá ser mais adequado.

O diagnóstico pode ser útil para orientar o tratamento, mas não deve substituir a compreensão da pessoa.

O que esperar da primeira consulta?

A primeira consulta é, sobretudo, um momento de conhecimento e avaliação.

O psicólogo poderá perguntar:

  • O que te levou a procurar ajuda agora;
  • Quais são os sintomas;
  • Quando começaram;
  • Como afetam a tua vida;
  • Que situações os agravam ou aliviam;
  • Que estratégias já experimentaste;
  • Como estão o sono, o trabalho, as relações e a saúde;
  • Se existe acompanhamento médico ou medicação;
  • O que gostarias que fosse diferente.

Não tens de contar toda a tua história na primeira consulta. Também não tens de falar de assuntos para os quais ainda não te sentes preparada/o.

Deverá existir espaço para esclarecer:

  • Como funciona a confidencialidade;
  • Quais são os seus limites;
  • Qual a duração e frequência das sessões;
  • Que abordagem poderá ser utilizada;
  • Que objetivos iniciais fazem sentido;
  • Como comunicar entre consultas;
  • Como funcionam cancelamentos e reagendamentos;
  • O que fazer em situações de crise.

N’O Teu Lugar, as primeiras duas a três consultas são geralmente utilizadas para conhecer a pessoa, mapear as necessidades e expectativas e definir objetivos realistas. O plano pode ser revisto ao longo do acompanhamento.

Tenho de falar sobre a minha infância?

Não necessariamente desde o início, nem com o mesmo grau de profundidade em todas as abordagens.

A história de vida pode ser relevante para compreender:

  • Como aprendeste a lidar com medo e incerteza;
  • Como se formaram determinadas crenças;
  • Que experiências aumentaram a sensação de perigo;
  • Como aprendeste a procurar segurança;
  • Que padrões relacionais continuam presentes.

Mas a psicoterapia também pode concentrar-se em dificuldades atuais e em mudanças concretas.

A psicoterapia pode fazer-me sentir pior?

Algumas sessões podem provocar desconforto temporário.

Falar sobre experiências difíceis, aproximar-se de situações evitadas ou questionar estratégias antigas pode aumentar momentaneamente a ansiedade. Isso não significa automaticamente que o processo está a correr mal.

Ao mesmo tempo, sofrimento intenso ou persistente não deve ser normalizado como uma consequência inevitável da terapia.

É importante comunicar quando:

  • As sessões estão a provocar uma destabilização difícil de gerir;
  • Não compreendes o objetivo de uma técnica;
  • Sentes que o ritmo é demasiado rápido;
  • Te sentes pressionada/o;
  • Os sintomas estão a agravar-se;
  • Não sentes qualquer melhoria ao longo do tempo.

O plano deve poder ser ajustado.

Preciso de estar muito mal para procurar ajuda?

Não. Podes procurar psicoterapia quando percebes que a ansiedade está a limitar-te, mesmo que continues a cumprir as tuas responsabilidades.

Intervir mais cedo pode impedir que o evitamento e a perda de confiança se tornem mais extensos.

Vou receber ferramentas logo nas primeiras sessões?

Depende da avaliação e da abordagem.

Algumas estratégias podem ser introduzidas cedo, especialmente quando os sintomas estão a interferir muito com o quotidiano. Contudo, ensinar técnicas sem compreender o problema pode produzir um alívio pouco duradouro ou fazer com que a pessoa tente controlar ainda mais todas as sensações.

As ferramentas devem estar integradas numa compreensão clínica do caso.

A psicoterapia vai eliminar completamente a ansiedade?

Não, nem esse seria um objetivo saudável.

A ansiedade é uma resposta normal. O objetivo é reduzir a ansiedade excessiva e recuperar liberdade para viver, decidir e relacionar-te sem seres permanentemente governado pelo medo.

Tenho de fazer exercícios entre sessões?

Nem todas as abordagens utilizam tarefas formais.

Quando existem exercícios, estes devem ser explicados e definidos em colaboração. Servem para experimentar novas respostas em situações reais, não para avaliar se és uma/um “boa/bom paciente”.

E se não conseguir fazer aquilo que foi combinado?

Isso pode fornecer informação importante.

Talvez o exercício tenha sido demasiado exigente, o objetivo não esteja claro ou exista um obstáculo que ainda não foi compreendido. O objetivo é explorar o que aconteceu, e não censurar.

Posso mudar de psicólogo?

Sim.

É aconselhável conversar primeiro sobre aquilo que não está a funcionar, porque essa conversa pode ser terapeuticamente útil. Mas tens o direito de procurar outro profissional quando não existe uma adequação suficiente. Podes contar connosco para te apoiar nesse processo.

Posso fazer psicoterapia enquanto tomo medicação?

Sim. A psicoterapia pode decorrer em simultâneo com o tratamento farmacológico.

É importante informar o psicólogo sobre a medicação e manter o acompanhamento médico responsável pela sua prescrição.

Como sei quando é altura de terminar?

A decisão é geralmente tomada em conjunto.

Pode fazer sentido terminar ou espaçar as consultas quando:

  • Os objetivos principais foram alcançados;
  • Os sintomas diminuíram de forma estável;
  • Recuperaste atividades anteriormente evitadas;
  • Consegues utilizar autonomamente aquilo que aprendeste;
  • Sabes reconhecer sinais de recaída;
  • Sentes que o processo deixou de acrescentar algo relevante.

O término pode ser gradual e incluir um plano para lidar com dificuldades futuras.

Psicoterapia online ou presencial em Coimbra?

Tanto a psicoterapia online como a presencial podem ser opções adequadas.

Psicoterapia presencial

A consulta presencial pode ser preferida quando:

  • Valorizas a separação física entre o espaço terapêutico e a tua casa;
  • Tens dificuldade em encontrar privacidade;
  • Sentes maior ligação através da presença no mesmo espaço;
  • A deslocação ajuda a criar uma rotina;
  • Existem dificuldades técnicas com o formato online.

Na Clínica O Teu Lugar, as consultas presenciais decorrem em Celas, Coimbra.

Psicoterapia online

A consulta online pode facilitar o acompanhamento quando:

  • Vives longe de Coimbra;
  • Tens horários pouco flexíveis;
  • Viajas com frequência;
  • Tens mobilidade reduzida;
  • Sentes maior conforto num ambiente familiar;
  • A própria ansiedade dificulta a deslocação inicial.

Estudos que comparam intervenções por videoconferência com acompanhamento presencial encontram, globalmente, resultados semelhantes na melhoria dos sintomas, embora a adequação possa variar consoante o diagnóstico e as circunstâncias individuais.

A modalidade online exige:

  • Ligação estável à internet;
  • Dispositivo com câmara e microfone;
  • Espaço privado;
  • Condições para falar sem interrupções;
  • Um plano para falhas de ligação;
  • Informação sobre a localização da pessoa em situações de risco.

O formato mais adequado depende das preferências, necessidades e condições práticas de cada pessoa. Também é possível mudar de modalidade ao longo do processo, quando o profissional disponibiliza ambas.

Quando faz sentido integrar a psicoterapia com psiquiatria?

A psicoterapia e a psiquiatria podem funcionar de forma complementar.

Uma avaliação psiquiátrica pode ser especialmente importante quando:

  • A ansiedade é grave ou incapacitante;
  • Existem ataques de pânico muito frequentes;
  • O sono está severamente afetado;
  • Há depressão moderada ou grave;
  • Existem alterações importantes do apetite e energia;
  • A pessoa não consegue realizar atividades básicas;
  • Existem pensamentos de morte, suicídio ou autolesão;
  • Surgem sintomas de mania, psicose ou desorganização;
  • Existe consumo problemático de substâncias;
  • Os sintomas não melhoraram com acompanhamento psicológico;
  • É necessário avaliar ou rever medicação.

O psicólogo não prescreve medicamentos. O psiquiatra é um médico especializado na avaliação, diagnóstico e tratamento das perturbações mentais, incluindo através de medicação quando esta está indicada.

A articulação entre os profissionais permite acompanhar simultaneamente os sintomas, os efeitos da medicação e o processo psicológico.

Como escolher um psicólogo para a ansiedade?

A escolha do psicólogo deve considerar mais do que a abordagem terapêutica.

Confirma a qualificação profissional

Em Portugal, o profissional deve estar inscrito na Ordem dos Psicólogos Portugueses e ter um número de cédula profissional verificável.

Quando é utilizada a designação de psicoterapeuta, é também relevante perceber se existe formação especializada.

Procura experiência adequada ao problema

Ansiedade é um termo amplo. Pode incluir:

  • Ansiedade generalizada;
  • Ansiedade social;
  • Ataques de pânico;
  • Agorafobia;
  • Fobias;
  • Ansiedade relacionada com a saúde;
  • Ansiedade de desempenho;
  • Ansiedade associada a trauma;
  • Obsessões e compulsões.

A experiência do profissional deve ser adequada às dificuldades apresentadas.

Podes consultar a nossa página de psicólogos especialistas em ansiedade para conhecer os profissionais e respetivas áreas de intervenção.

Considera a abordagem terapêutica

A terapia cognitivo-comportamental apresenta uma base científica especialmente consistente para diferentes perturbações de ansiedade.

Contudo, a escolha não precisa de ser feita apenas com base no nome da abordagem. Dependendo da pessoa, podem ser relevantes componentes de abordagens integrativas, psicodinâmicas, sistémicas, focadas na aceitação, na compaixão, na vinculação ou no trauma.

O mais importante é que o profissional consiga explicar:

  • Como compreende o problema;
  • Que objetivos propõe;
  • Como pretende trabalhar;
  • Que papel terá a pessoa;
  • Como será avaliado o progresso.

Observa a relação terapêutica

É importante sentires que:

  • És escutada/o;
  • As tuas dificuldades são levadas a sério;
  • Podes colocar dúvidas;
  • Não és pressionado/a a revelar mais do que consegues naquele momento;
  • O profissional consegue explicar o processo;
  • Existe respeito pelos teus valores;
  • Podes discordar;
  • O tratamento tem um sentido compreensível.

É natural não sentir confiança total nas primeiras consultas. A confiança constrói-se ao longo do tempo – não ficamos a conhecer alguém ou criar uma relação segura em 3 dias – no entanto, desconforto persistente, falta de clareza ou sensação de julgamento devem poder ser discutidos.

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Procurar ajuda não significa que falhaste em lidar sozinha/o

A ansiedade leva frequentemente a pessoa a duvidar de si própria:

– “Devia conseguir controlar isto.”

– “Há pessoas com problemas piores.”

– “Talvez esteja a exagerar.”

– “Se procurar ajuda, significa que sou fraca/o.”

– “Se sei o que tenho de fazer, devia conseguir fazê-lo.”

Mas a dificuldade em controlar a ansiedade não resulta de falta de força de vontade.

As respostas de medo e proteção são aprendidas e reforçadas ao longo do tempo. Tentar combatê-las sozinha/o através de controlo, evitamento ou autocensura pode, involuntariamente, torná-las mais intensas.

A psicoterapia não retira à pessoa a responsabilidade pela própria vida. Cria um espaço onde essa responsabilidade pode ser exercida com mais compreensão, recursos e liberdade.

O objetivo não é tornar-te dependente do terapeuta e da terapia, pelo contrário, é ajudar-te a construir uma relação diferente com a ansiedade, para que possas voltar a decidir com base no que é importante para ti e não apenas no que parece menos assustador.

Psicoterapia para a ansiedade N’O Teu Lugar

N’O Teu Lugar disponibilizamos consultas de psicologia e psicoterapia para diferentes manifestações da ansiedade.

O acompanhamento começa pela compreensão daquilo que estás a viver, da forma como a ansiedade interfere com a tua vida e dos objetivos que gostarias de alcançar.

Dependendo do profissional e das tuas necessidades, o processo pode incluir:

  • Compreensão dos ciclos de ansiedade;
  • Identificação de pensamentos e padrões emocionais;
  • Estratégias de regulação;
  • Intervenção sobre evitamento;
  • Desenvolvimento de tolerância à incerteza;
  • Trabalho sobre autoestima, perfecionismo e relações;
  • Exposição gradual;
  • Integração de experiências passadas;
  • Prevenção de recaída.

As consultas estão disponíveis presencialmente, na nossa Clínica de Psicologia e Psiquiatria em Coimbra, e online. A equipa integra profissionais com diferentes orientações terapêuticas e experiência em perturbações de ansiedade.

Se não souberes que profissional escolher, a equipa poderá ajudar-te a identificar a opção mais adequada ao motivo da consulta, modalidade pretendida e disponibilidade.

Autoras:

Ana Fidalgo - Psicóloga e terapeuta EMDR
Dr.ª Ana Fidalgo
Psicóloga
N.º da Cédula: 20735

A Dra. Ana Fidalgo é psicóloga clínica e co-fundadora da Clínica de Psicologia O Teu Lugar. É também terapeuta EMDR, formadora e especialista em Sexologia, Terapia de Casal e Educação Afetivo-Sexual.

Atua em áreas como: Ansiedade, perda e crises existenciais (depressão, luto, vazio/falta de sentido), trauma, perturbações de personalidade,  sexualidade e intimidade, relações, família e decisões de vida, entre outras.

Liliana Marques - Psicóloga
Dr.ª Liliana Marques
Psicóloga
N.º da Cédula: 22932

A Dra. Liliana Marques é psicóloga clínica e co-fundadora da Clínica de Psicologia O Teu Lugar. É também formadora e terapeuta EMDR.

Atua em áreas como: perturbações de humor (ansiedade, depressão), regulação emocional, perturbações da personalidade, trauma, luto e perda, relacionamento interpessoal, stress e burnout, desenvolvimento pessoal.

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