Hipnoterapia para ansiedade: funciona mesmo? Em que consiste?

Set 6, 2026Ansiedade, Psicologia, Psicoterapia0 comments

Mulher relaxada durante uma sessão online de hipnoterapia para ansiedade

A ansiedade faz parte da experiência humana. Ajuda-nos a antecipar riscos, preparar respostas e mobilizar recursos perante situações exigentes. O problema surge quando o estado de alerta se torna demasiado intenso, persistente ou difícil de controlar, interferindo com o sono, o trabalho, as relações e a liberdade para viver o quotidiano.

Quem vive em constante ansiedade pode sentir que percebe racionalmente que não está em perigo, mas que o corpo continua a reagir como se estivesse. É precisamente nesta distância entre aquilo que sabemos e aquilo que sentimos que algumas pessoas procuram a hipnoterapia para tratar a ansiedade.

A hipnoterapia, ou hipnose clínica, é uma intervenção que utiliza atenção focada, imagética e sugestões terapêuticas para ajudar a pessoa a modificar determinadas respostas emocionais, corporais e comportamentais. Não implica perder a consciência, entregar o controlo a outra pessoa ou ficar vulnerável a fazer algo contra a própria vontade.

A investigação disponível sugere que a hipnose pode contribuir para a redução de sintomas de ansiedade, sobretudo quando é integrada noutras intervenções psicológicas. Contudo, a qualidade dos estudos é variável e a evidência é mais sólida para algumas aplicações específicas, como por exemplo, ansiedade associada a procedimentos médicos, do que para perturbações como ansiedade generalizada, ansiedade social ou perturbação de pânico. Por isso, deve ser entendida como uma ferramenta clínica possível e não como uma solução rápida ou universal. (Valentine et al., 2019; Rosendahl et al., 2024)

Como se manifesta a ansiedade?

A ansiedade não se manifesta da mesma forma em todas as pessoas. Pode envolver sintomas físicos, pensamentos repetitivos, alterações emocionais e comportamentos de evitamento.

Sintomas físicos

Entre os sintomas físicos mais frequentes encontram-se:

  • Coração acelerado ou palpitações;
  • Aperto no peito;
  • Respiração rápida ou sensação de falta de ar;
  • Tensão muscular;
  • Tremores;
  • Suores;
  • Tonturas;
  • Náuseas ou desconforto gastrointestinal;
  • Cansaço persistente;
  • Dificuldade em adormecer ou sono pouco reparador;
  • Sensação de estar permanentemente “em alerta”.

Pensamentos e emoções

A ansiedade também pode manifestar-se através de:

  • Preocupação constante;
  • Antecipação de cenários negativos;
  • Medo de perder o controlo;
  • Dificuldade em tomar decisões;
  • Sensação de que alguma coisa má está prestes a acontecer;
  • Hipervigilância em relação às sensações do corpo;
  • Medo de ser avaliado, rejeitado ou humilhado;
  • Dificuldade em desligar os pensamentos;
  • Irritabilidade ou impaciência.

Comportamentos de evitamento

Para reduzir o desconforto imediato, a pessoa pode começar a evitar situações, lugares ou experiências:

  • Transportes públicos;
  • Conduzir;
  • Espaços fechados;
  • Falar em público;
  • Conhecer pessoas;
  • Fazer chamadas telefónicas;
  • Ir a consultas;
  • Permanecer sozinha/o;
  • Afastar-se de locais onde anteriormente teve uma crise.

Embora o evitamento possa produzir alívio no momento, tende a reforçar a ideia de que a situação era realmente perigosa. Gradualmente, o mundo da pessoa pode tornar-se mais pequeno e condicionado pela ansiedade.

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O que é a hipnoterapia?

A hipnose é definida, em contexto científico, como um estado de consciência caracterizado por atenção focada, menor atenção a estímulos periféricos e maior capacidade de resposta a sugestões. A hipnoterapia corresponde à utilização deste processo com uma finalidade terapêutica. (Elkins et al., 2015)

Na prática, a pessoa é orientada pelo terapeuta para concentrar a atenção numa experiência interna, como:

  • A respiração;
  • Determinadas sensações corporais;
  • Uma imagem mental;
  • A voz do terapeuta;
  • Uma memória de segurança ou competência;
  • A representação imaginada de uma situação futura.

Este foco pode facilitar uma experiência mais vívida de determinadas imagens e sugestões. Por exemplo, a pessoa pode imaginar-se a permanecer tranquila durante uma apresentação, a observar uma sensação corporal sem entrar em pânico ou a responder de forma diferente a um pensamento ansioso.

Apesar da associação popular entre hipnose e relaxamento, a hipnose não é simplesmente uma técnica de relaxamento. Algumas pessoas sentem-se profundamente relaxadas; outras mantêm-se despertas, atentas e com sensações semelhantes às que têm quando estão absorvidas num livro, num filme ou numa atividade.

Também não é necessário atingir um “transe profundo” para que o trabalho seja útil. As respostas à hipnose variam entre pessoas e podem variar na mesma pessoa de sessão para sessão.

Hipnose e hipnoterapia são a mesma coisa?

Os dois termos são frequentemente usados como sinónimos, mas existe uma diferença.

Hipnose refere-se ao processo ou estado de atenção focada e maior responsividade a sugestões.

Hipnoterapia refere-se à utilização da hipnose no contexto de um plano terapêutico, orientado para dificuldades psicológicas, emocionais ou comportamentais.

A hipnose é, portanto, uma ferramenta. A qualidade e a segurança da intervenção dependem da avaliação clínica, da formação do profissional, dos objetivos definidos e da forma como a técnica é integrada no acompanhamento.

Quando é realizada por um psicólogo, a hipnose pode ser articulada com a formulação clínica do problema, a história da pessoa e outras estratégias psicoterapêuticas.

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A hipnoterapia para a ansiedade funciona mesmo?

A resposta mais rigorosa é: pode funcionar para algumas pessoas, mas os resultados variam.

Uma meta-análise publicada em 2019 reuniu 15 estudos, correspondentes a 17 ensaios, e encontrou uma redução significativa da ansiedade nos participantes que receberam intervenções com hipnose. Os resultados foram superiores quando a hipnose foi combinada com outras intervenções psicológicas, em comparação com a sua utilização isolada. (Valentine et al., 2019)

Uma revisão mais ampla de meta-análises, publicada em 2024, concluiu que a hipnose apresenta potencial em diferentes problemas psicológicos e de saúde. No entanto, a evidência mais robusta verificou-se sobretudo na dor e na ansiedade ou sofrimento associados a procedimentos médicos (Rosendahl et al., 2024)

Ainda assim, pode ser uma ferramenta complementar relevante, sobretudo quando:

  • Existe uma componente física muito intensa;
  • A pessoa beneficia de imagética e trabalho experiencial;
  • É difícil aceder a uma sensação de segurança apenas através da conversa;
  • Se pretende ensaiar novas respostas a situações temidas;
  • A pessoa sente dificuldade em aplicar competências que compreende racionalmente;
  • É integrada num plano terapêutico mais abrangente.
Mulher num exercício de atenção focada durante hipnoterapia para ansiedade

Como pode a hipnoterapia ajudar na ansiedade?

A hipnoterapia não procura simplesmente convencer a pessoa de que “está tudo bem”. Pode trabalhar diferentes componentes do ciclo da ansiedade.

1. Ajudar a regular a ativação corporal

Na ansiedade, o corpo pode reagir antes de existir tempo para avaliar conscientemente a situação.

Durante a hipnose, podem ser praticadas respostas como:

  • Abrandar a respiração;
  • Reduzir tensão muscular;
  • Observar sensações sem as interpretar imediatamente como perigosas;
  • Recuperar uma sensação de estabilidade;
  • Dirigir voluntariamente a atenção;
  • Utilizar uma imagem ou gesto como lembrete de uma resposta aprendida.

O objetivo não deve ser tornar a pessoa dependente de estar sempre relaxada. Alguma ativação física é normal e não precisa de ser eliminada para que a pessoa consiga avançar.

2. Alterar a relação com pensamentos ansiosos

Os pensamentos ansiosos são frequentemente vividos como previsões ou certezas:

  • “Vou perder o controlo.”
  • “Toda a gente vai reparar.”
  • “Não vou conseguir sair daqui.”
  • “Esta sensação significa que algo grave está a acontecer.”

A hipnoterapia pode ajudar a criar alguma distância destes pensamentos, permitindo que sejam observados como acontecimentos mentais e não necessariamente como factos.

Também pode utilizar imagens e sugestões para fortalecer respostas alternativas mais realistas:

  • “Posso sentir ansiedade sem estar em perigo.”
  • “Não preciso de controlar todas as sensações.”
  • “Posso permanecer nesta situação e deixar a ansiedade diminuir.”
  • “Uma dificuldade não define toda a minha capacidade.”

3. Ensaiar mentalmente novas respostas

A imagética permite representar situações futuras com detalhe.

A pessoa pode ensaiar mentalmente:

  • Entrar num espaço que costuma evitar;
  • Iniciar uma conversa;
  • Apresentar um trabalho;
  • Viajar de avião;
  • Permanecer num local mesmo sentindo ansiedade;
  • Lidar com uma sensação física inesperada;
  • Responder a um pensamento de catástrofe.

Este ensaio pode preparar a pessoa para se aproximar da situação com maior confiança e flexibilidade.

4. Complementar a exposição gradual

O tratamento de várias perturbações de ansiedade inclui a aproximação gradual às situações, sensações ou pensamentos que a pessoa evita.

A hipnose pode ser utilizada para:

  • Preparar essa aproximação;
  • Trabalhar imagens antecipatórias;
  • Reduzir a sensação de impotência;
  • Ensaiar respostas alternativas;
  • Reforçar aquilo que foi aprendido depois da experiência.

No entanto, não deve transformar-se numa forma de evitar toda a ansiedade. Se a pessoa acreditar que só consegue enfrentar uma situação quando está totalmente calma ou quando utiliza uma técnica específica, essa técnica pode tornar-se um novo comportamento de segurança.

O objetivo terapêutico não é garantir a ausência de ansiedade, mas aumentar a capacidade de continuar a agir mesmo quando algum desconforto está presente.

5. Ensinar competências de auto-hipnose

Em alguns casos, o terapeuta pode ensinar exercícios de auto-hipnose para a pessoa utilizar entre sessões.

Estes exercícios podem ajudar a:

  • Praticar atenção focada;
  • Reduzir ruminação;
  • Preparar o sono;
  • Ensaiar situações futuras;
  • Recordar competências trabalhadas em sessão;
  • Recuperar mais rapidamente depois de um momento de maior ativação.

Nota: A auto-hipnose deve ser entendida como uma competência de autorregulação e não como substituto de uma avaliação ou acompanhamento clínico quando a ansiedade é intensa ou incapacitante.

Hipnoterapia para ansiedade generalizada

A ansiedade generalizada caracteriza-se frequentemente por preocupação excessiva e difícil de controlar, acompanhada por tensão, inquietação, irritabilidade, fadiga e dificuldade em dormir.

Na hipnoterapia para ansiedade generalizada, o trabalho pode incidir sobre:

  • Preocupação constante;
  • Necessidade de antecipar e controlar;
  • Tensão corporal;
  • Intolerância à incerteza;
  • Dificuldade em interromper a ruminação;
  • Problemas de sono;
  • Sensação permanente de ameaça.

A hipnose pode facilitar momentos de atenção mais estável e ajudar a treinar respostas diferentes à preocupação. Contudo, a investigação específica sobre hipnoterapia para a perturbação de ansiedade generalizada continua limitada.

Por isso, quando existe um diagnóstico ou sintomas persistentes, a hipnose deve ser enquadrada num plano que pode incluir psicoterapia estruturada, mudanças comportamentais e, quando indicado, avaliação psiquiátrica. As orientações clínicas atribuem um lugar mais estabelecido à terapia cognitivo-comportamental e a determinados tratamentos farmacológicos.

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Hipnoterapia para ansiedade social

A ansiedade social envolve medo intenso de ser observado, avaliado, criticado ou humilhado.

Pode manifestar-se em situações como:

  • Falar em público;
  • Participar em reuniões;
  • Conhecer pessoas;
  • Comer ou escrever à frente de outros;
  • Expressar uma opinião;
  • Falar com figuras de autoridade;
  • Iniciar ou manter conversas.

A hipnoterapia para ansiedade social pode ser utilizada para ensaiar mentalmente estas situações, trabalhar imagens negativas sobre o próprio desempenho e fortalecer a capacidade de permanecer presente durante o contacto social.

Também pode ajudar a reduzir a atenção excessivamente dirigida para dentro, para a voz, o rubor, os movimentos ou aquilo que a pessoa imagina que os outros estão a pensar.

No entanto, a terapia cognitivo-comportamental individual, adaptada à ansiedade social, continua a ser uma das intervenções com maior sustentação científica e a hipnose pode complementar esse trabalho.

Mulher numa situação social associada à ansiedade social

Hipnoterapia para ataques de ansiedade ou pânico

Um ataque de pânico é um episódio súbito de medo ou desconforto intenso, frequentemente acompanhado por sintomas como:

  • Palpitações;
  • Falta de ar;
  • Tonturas;
  • Tremores;
  • Sensação de desmaio;
  • Aperto ou dor no peito;
  • Formigueiro;
  • Sensação de irrealidade;
  • Medo de morrer, enlouquecer ou perder o controlo.

Depois de uma crise, é comum desenvolver medo de voltar a senti-la. A pessoa começa a vigiar o corpo, a evitar esforços, locais ou situações e a interpretar pequenas alterações físicas como sinais de uma nova crise.

Na hipnoterapia para ataques de ansiedade ou pânico, podem ser trabalhados:

  • O medo das sensações corporais;
  • A antecipação de novas crises;
  • Imagens de catástrofe;
  • A sensação de falta de controlo;
  • O evitamento;
  • A recuperação de confiança no corpo;
  • A prática de respostas alternativas.

É importante, contudo, que a intervenção não se limite a “fazer desaparecer” todas as sensações. Na perturbação de pânico, aprender que essas sensações podem ser toleradas e não precisam de ser evitadas é frequentemente uma parte central do tratamento.

Quando clinicamente indicada, a hipnose pode ser articulada com psicoeducação, reestruturação cognitiva e exposição gradual às sensações e situações temidas.

Num primeiro episódio, perante sintomas novos ou quando existem dúvidas sobre a sua origem, é importante procurar avaliação médica para excluir outras causas.

Hipnoterapia para ansiedade e depressão

Ansiedade e depressão surgem frequentemente em simultâneo.

Uma pessoa pode sentir preocupação, tensão e medo, mas também:

  • Perda de prazer;
  • Falta de energia;
  • Desesperança;
  • Isolamento;
  • Autocrítica intensa;
  • Alterações do sono e do apetite;
  • Dificuldade em iniciar atividades.

A hipnoterapia pode ser utilizada como complemento para trabalhar ruminação, autocrítica, desesperança, dificuldade em aceder a experiências positivas e bloqueio comportamental.

Quando a ansiedade ocorre em conjunto com depressão, é importante avaliar:

  • A intensidade dos sintomas;
  • O impacto no funcionamento;
  • A presença de desesperança;
  • Alterações importantes do sono ou apetite;
  • Consumo de substâncias;
  • Pensamentos de morte, suicídio ou autolesão.

Nestes casos, a hipnose deverá integrar um plano clínico mais abrangente, podendo ser necessário acompanhamento psicoterapêutico regular e uma consulta de psiquiatria.

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Como decorre uma sessão de hipnoterapia para a ansiedade?

Uma sessão de hipnoterapia não começa necessariamente com a pessoa a fechar os olhos. Antes de utilizar a hipnose, é importante compreender o problema e estabelecer objetivos.

1. Avaliação inicial

Na primeira consulta, o psicólogo procura compreender:

  • Que sintomas estão presentes;
  • Quando começaram;
  • Em que situações surgem;
  • O que a pessoa evita;
  • Que tratamentos já realizou;
  • Se existe medicação;
  • Se existem outras condições psicológicas ou médicas;
  • Quais são os objetivos e expectativas relativamente à hipnose.

A primeira consulta pode ser sobretudo dedicada à avaliação e planeamento. A hipnose apenas deverá ser utilizada se for clinicamente adequada e se a pessoa estiver confortável.

2. Explicação do processo e consentimento

O terapeuta explica:

  • Em que consiste a hipnose;
  • O que poderá acontecer durante o exercício;
  • Quais os objetivos;
  • Que a pessoa mantém o controlo;
  • Que pode falar, abrir os olhos ou interromper a qualquer momento;
  • Que não existe obrigação de seguir qualquer sugestão.

A colaboração e o consentimento são essenciais.

3. Indução hipnótica

A indução é o processo utilizado para ajudar a pessoa a concentrar a atenção.

Pode envolver:

  • Observar a respiração;
  • Focar um ponto;
  • Fechar os olhos;
  • Imaginar um lugar;
  • Percorrer mentalmente diferentes partes do corpo;
  • Contar de forma progressiva;
  • Acompanhar a voz do terapeuta.

Não existe uma única forma correta de entrar em hipnose.

4. Intervenção terapêutica

Depois de a atenção estar mais focada, o terapeuta pode utilizar:

  • Sugestões terapêuticas;
  • Imagética guiada;
  • Ensaio mental;
  • Dessensibilização gradual;
  • Trabalho com pensamentos e crenças;
  • Fortalecimento de recursos internos;
  • Preparação para situações futuras;
  • Treino de respostas corporais;
  • Sugestões pós-hipnóticas;
  • Exercícios de auto-hipnose.

As sugestões devem ser ajustadas à pessoa e aos objetivos previamente definidos, e não frases genéricas aplicadas da mesma forma a toda a gente.

5. Regresso ao estado habitual de atenção

No final, o terapeuta orienta a pessoa para voltar gradualmente a dirigir a atenção para o espaço, o corpo e a conversa.

A pessoa não fica “presa” em hipnose. Poderá sentir-se relaxada, desperta, emocionada ou simplesmente semelhante ao que sentia antes da experiência.

6. Integração da experiência

Depois do exercício, existe espaço para conversar sobre:

  • Aquilo que a pessoa sentiu;
  • As imagens ou pensamentos que surgiram;
  • O que foi útil ou difícil;
  • Como relacionar a experiência com o objetivo terapêutico;
  • Que exercício poderá ser praticado entre sessões.

Quando deve ser complementada com psicoterapia?

A hipnose pode ser integrada na própria psicoterapia quando o profissional tem formação em ambas as áreas.

Um acompanhamento psicoterapêutico mais abrangente é especialmente importante quando:

  • A ansiedade está presente há muito tempo;
  • Existem vários problemas associados;
  • Há padrões de evitamento muito instalados;
  • Existem dificuldades relacionais ou de autoestima;
  • A ansiedade está ligada a experiências traumáticas;
  • Existem comportamentos compulsivos;
  • Há depressão;
  • Os sintomas interferem significativamente com o trabalho ou as relações;
  • A pessoa precisa de compreender os fatores que mantêm o problema;
  • É necessário realizar exposição gradual ou alterar padrões comportamentais.

A investigação sugere que a hipnose pode produzir melhores resultados quando é utilizada como complemento de outras intervenções psicológicas do que quando é aplicada isoladamente. (Valentine et al., 2019; Ramondo et al., 2021)

Quando pode ser necessária uma consulta de psiquiatria?

A avaliação psiquiátrica pode ser importante quando:

  • Ansiedade é intensa ou incapacitante;
  • Existem crises muito frequentes;
  • O sono está gravemente afetado;
  • Há depressão moderada ou grave;
  • A pessoa não consegue trabalhar, estudar ou realizar atividades básicas;
  • Existem sintomas de mania, psicose ou desorganização;
  • Há consumo problemático de álcool ou outras substâncias;
  • Existem pensamentos de suicídio ou autolesão;
  • A psicoterapia não está a produzir melhoria suficiente;
  • É necessário avaliar a possibilidade de medicação.

A medicação não é obrigatória em todos os quadros de ansiedade. Quando indicada, pode reduzir sintomas e criar melhores condições para o trabalho psicoterapêutico.

A decisão deve ser individualizada e discutida com um médico psiquiatra, considerando benefícios, riscos, preferências e história clínica.

Hipnose clínica online n’ O Teu Lugar

O Teu Lugar disponibiliza consultas online de hipnose clínica com o Dr. Fábio Pereira, psicólogo clínico e da saúde e hipnoterapeuta, com a cédula profissional n.º 24684.

O Dr. Fábio acompanha perturbações de ansiedade e do humor, ataques de pânico, dificuldades de sono, stress, luto e outras dificuldades emocionais, integrando a hipnose com uma perspetiva psicológica e cognitivo-comportamental.

Dr. Fábio Pereira - psicólogo e hipnoterapeuta na clínica O Teu Lugar

Sobre o Dr. Fábio Pereira

Cédula Profissional nº 24684

  • Psicologia Clínica e da Saúde
  • Hipnoterapeuta (Hipnose Clínica)
  • Psicoterapia (em formação)

Áreas de Intervenção: 

Perturbações de ansiedade e do humor/depressivas, obesidade e perturbações alimentares, perturbação obsessivo-compulsiva, adições, perturbações do sono, burnout/stress, luto e perda, dificuldades relacionais e/ou outros desequilíbrios emocionais não especificados.

As sessões decorrem online, através de uma plataforma de teleconsulta. Para uma sessão de hipnose online, é importante garantir:

  • Um local privado;
  • Uma ligação estável à internet;
  • Uma posição confortável;
  • Som adequado, idealmente com auriculares;
  • Ausência de interrupções;
  • Que a pessoa não necessita de conduzir ou realizar tarefas exigentes durante a sessão.

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FAQs

Perguntas frequentes sobre hipnoterapia para ansiedade

A hipnoterapia para a ansiedade funciona mesmo?

A investigação sugere que a hipnose pode reduzir sintomas de ansiedade e que tende a ser mais eficaz quando é integrada noutras intervenções psicológicas.

No entanto, os estudos são heterogéneos e nem todos analisam pessoas com uma perturbação de ansiedade diagnosticada. A evidência é mais consistente para a ansiedade associada a procedimentos médicos do que para quadros como ansiedade generalizada, social ou pânico.

Por isso, a resposta depende da pessoa, do tipo de ansiedade, da qualidade da avaliação e da forma como a hipnose é integrada no plano terapêutico.

A hipnoterapia pode ajudar na ansiedade generalizada?

Pode ajudar a trabalhar preocupação, tensão corporal, ruminação, dificuldade em dormir e necessidade excessiva de controlo.

A hipnoterapia pode ajudar na ansiedade social?

Pode ser utilizada para ensaiar situações sociais, trabalhar imagens negativas, reduzir a atenção excessiva aos próprios sintomas e preparar exposições graduais.

A hipnoterapia ajuda em ataques de ansiedade ou pânico?

Pode ajudar a diminuir o medo das sensações corporais, a antecipação de novas crises e a sensação de perda de controlo.

O objetivo não deverá ser evitar todas as sensações, mas aprender a interpretá-las e tolerá-las de forma diferente. Em muitos casos, a hipnose é mais útil quando combinada com psicoeducação e exposição gradual.

A hipnoterapia pode ajudar no tratamento da ansiedade e depressão?

Pode ser utilizada como complemento para trabalhar ansiedade, ruminação, autocrítica e bloqueio emocional.

Porém, quando existe depressão, é necessária uma avaliação clínica específica. A evidência atual não permite recomendar a hipnose como tratamento isolado da depressão, sobretudo em quadros moderados ou graves.

Durante a hipnose vou perder o controlo?

Não. A pessoa mantém consciência, capacidade de decisão e possibilidade de interromper o exercício.

A hipnose clínica depende de colaboração. O terapeuta não controla a mente da pessoa nem consegue obrigá-la a agir contra a sua vontade.

Vou ficar inconsciente ou adormecer?

Não necessariamente. A palavra “hipnose” está historicamente associada ao sono, mas a experiência é diferente.

A maioria das pessoas continua a ouvir o terapeuta e sabe onde está. Algumas sentem relaxamento profundo; outras sentem sobretudo concentração e absorção.

Posso revelar segredos contra a minha vontade?

Não. A pessoa continua a poder escolher o que diz e o que não diz.

A hipnose não funciona como um “soro da verdade” e não permite ao terapeuta aceder diretamente a conteúdos escondidos.

Posso ficar preso em hipnose?

Não. A pessoa pode sair do estado de atenção focada espontaneamente ou seguindo a orientação do terapeuta.

Mesmo que uma sessão fosse interrompida, a atenção regressaria gradualmente ao estado habitual.

Vou lembrar-me da sessão?

Na maioria dos casos, sim.

Algumas pessoas podem recordar determinadas partes com menos detalhe, sobretudo se estiverem muito absorvidas, mas a amnésia não é um elemento necessário nem desejável da hipnoterapia.

A hipnose permite recuperar memórias esquecidas?

A hipnose não deve ser utilizada como método para determinar se um acontecimento ocorreu realmente.

A memória humana é reconstrutiva e pode ser influenciada por expectativas, imagética e perguntas sugestivas. A utilização inadequada da hipnose para “recuperar” memórias pode aumentar o risco de distorções e falsas memórias. Por isso, uma prática clínica responsável trabalha as emoções, sintomas e significados presentes sem apresentar imagens surgidas durante a hipnose como provas factuais. (Leo et al., 2025)

A hipnoterapia funciona online?

Pode ser realizada online quando existem condições adequadas de privacidade, som, ligação e conforto.

O formato online pode até facilitar o processo para algumas pessoas, por estarem num ambiente familiar. Contudo, a adequação deve ser avaliada individualmente.

Quantas sessões são necessárias?

Não existe um número universal.

A duração depende de fatores como:

  • Tipo de ansiedade;
  • Intensidade dos sintomas;
  • Tempo de evolução;
  • Existência de outras dificuldades;
  • Objetivos definidos;
  • Resposta individual;
  • Integração com psicoterapia.

Algumas pessoas notam mudanças em poucas sessões; outras precisam de um acompanhamento mais prolongado. Um profissional responsável não deve garantir resultados nem prometer uma “cura” num número fixo de sessões.

Toda a gente consegue ser hipnotizada?

As pessoas apresentam diferentes níveis de resposta à hipnose.

Não é necessário entrar num transe profundo para beneficiar de atenção focada, imagética ou sugestões terapêuticas. Quando a hipnose não é uma ferramenta adequada ou útil, o plano deverá ser ajustado.

A hipnoterapia é segura?

Em geral, a hipnose clínica é considerada uma intervenção de baixo risco quando é realizada por um profissional qualificado e após uma avaliação adequada. Uma revisão abrangente encontrou poucos acontecimentos adversos, mas também assinalou limitações na qualidade e no reporte de segurança dos estudos.

É necessária avaliação cuidadosa quando existem sintomas psicóticos, mania ou hipomania, dissociação grave, consumo de substâncias, trauma complexo descompensado ou uma crise psicológica aguda.

A hipnose não deve ser usada para forçar recordações, provocar catarse ou substituir cuidados médicos e psicológicos necessários.

A hipnoterapia é a escolha certa para mim?

A hipnoterapia poderá fazer sentido se:

  • Tens curiosidade e disponibilidade para experimentar um trabalho baseado em atenção e imagética;
  • Compreendes que manterás o controlo durante o processo;
  • Procuras uma ferramenta complementar;
  • Estás disponível para praticar competências entre sessões;
  • Os objetivos são definidos de forma realista;
  • Existe uma avaliação clínica adequada.

Poderá não ser a melhor opção quando a pessoa espera uma solução passiva, imediata ou garantida.

A hipnose não “apaga” a ansiedade, não elimina memórias e não impede que a vida volte a ser desafiante. Pode, porém, ajudar algumas pessoas a relacionarem-se de maneira diferente com os pensamentos, as sensações e as situações que anteriormente desencadeavam medo.

O objetivo não pode ser nunca mais sentir ansiedade, mas sim recuperar capacidade de escolha, reduzir o evitamento e deixar de organizar a vida inteira em função do medo.

Referências Bibliográficas

Elkins, G. R., Barabasz, A. F., Council, J. R., & Spiegel, D. (2015). Advancing research and practice: The revised APA Division 30 definition of hypnosis. International Journal of Clinical and Experimental Hypnosis, 63(1), 1–9. DOI: 10.1080/00207144.2014.961870.

Fuhr, K., Hagl, M., Drujan, M., & Batra, A. (2022). Treating depression with hypnotherapy: A systematic review of randomized controlled trials. Minerva Psychiatry, 63(3), 197–207. DOI: 10.23736/S2724-6612.22.02303-X.

Leo, D. G., Bruno, D., & Proietti, R. (2025). Remembering what did not happen: The role of hypnosis in memory recall and false memories formation. Frontiers in Psychology, 16, 1433762. DOI: 10.3389/fpsyg.2025.1433762.

Ramondo, N., Gignac, G. E., Pestell, C. F., & Byrne, S. M. (2021). Clinical hypnosis as an adjunct to cognitive behavior therapy: An updated meta-analysis. International Journal of Clinical and Experimental Hypnosis, 69(2), 169–202. DOI: 10.1080/00207144.2021.1877549.

Rosendahl, J., Alldredge, C. T., & Haddenhorst, A. (2024). Meta-analytic evidence on the efficacy of hypnosis for mental and somatic health issues: A 20-year perspective. Frontiers in Psychology, 14, 1330238. DOI: 10.3389/fpsyg.2023.1330238.

Souza, F. L., Moura, M. S., Silva, J. V. A., & Elkins, G. (2024). Hypnosis for depression: Systematic review of randomized clinical trials with meta-analysis. Complementary Therapies in Clinical Practice, 57, 101913. DOI: 10.1016/j.ctcp.2024.101913.

Valentine, K. E., Milling, L. S., Clark, L. J., & Moriarty, C. L. (2019). The efficacy of hypnosis as a treatment for anxiety: A meta-analysis. International Journal of Clinical and Experimental Hypnosis, 67(3), 336–363. DOI: 10.1080/00207144.2019.1613863.

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