A ansiedade faz parte da experiência humana. Ajuda-nos a antecipar riscos, preparar respostas e mobilizar recursos perante situações exigentes. O problema surge quando o estado de alerta se torna demasiado intenso, persistente ou difícil de controlar, interferindo com o sono, o trabalho, as relações e a liberdade para viver o quotidiano.
Quem vive em constante ansiedade pode sentir que percebe racionalmente que não está em perigo, mas que o corpo continua a reagir como se estivesse. É precisamente nesta distância entre aquilo que sabemos e aquilo que sentimos que algumas pessoas procuram a hipnoterapia para tratar a ansiedade.
A hipnoterapia, ou hipnose clínica, é uma intervenção que utiliza atenção focada, imagética e sugestões terapêuticas para ajudar a pessoa a modificar determinadas respostas emocionais, corporais e comportamentais. Não implica perder a consciência, entregar o controlo a outra pessoa ou ficar vulnerável a fazer algo contra a própria vontade.
A investigação disponível sugere que a hipnose pode contribuir para a redução de sintomas de ansiedade, sobretudo quando é integrada noutras intervenções psicológicas. Contudo, a qualidade dos estudos é variável e a evidência é mais sólida para algumas aplicações específicas, como por exemplo, ansiedade associada a procedimentos médicos, do que para perturbações como ansiedade generalizada, ansiedade social ou perturbação de pânico. Por isso, deve ser entendida como uma ferramenta clínica possível e não como uma solução rápida ou universal. (Valentine et al., 2019; Rosendahl et al., 2024)
Como se manifesta a ansiedade?
A ansiedade não se manifesta da mesma forma em todas as pessoas. Pode envolver sintomas físicos, pensamentos repetitivos, alterações emocionais e comportamentos de evitamento.
Sintomas físicos
Entre os sintomas físicos mais frequentes encontram-se:
- Coração acelerado ou palpitações;
- Aperto no peito;
- Respiração rápida ou sensação de falta de ar;
- Tensão muscular;
- Tremores;
- Suores;
- Tonturas;
- Náuseas ou desconforto gastrointestinal;
- Cansaço persistente;
- Dificuldade em adormecer ou sono pouco reparador;
- Sensação de estar permanentemente “em alerta”.
Pensamentos e emoções
A ansiedade também pode manifestar-se através de:
- Preocupação constante;
- Antecipação de cenários negativos;
- Medo de perder o controlo;
- Dificuldade em tomar decisões;
- Sensação de que alguma coisa má está prestes a acontecer;
- Hipervigilância em relação às sensações do corpo;
- Medo de ser avaliado, rejeitado ou humilhado;
- Dificuldade em desligar os pensamentos;
- Irritabilidade ou impaciência.
Comportamentos de evitamento
Para reduzir o desconforto imediato, a pessoa pode começar a evitar situações, lugares ou experiências:
- Transportes públicos;
- Conduzir;
- Espaços fechados;
- Falar em público;
- Conhecer pessoas;
- Fazer chamadas telefónicas;
- Ir a consultas;
- Permanecer sozinha/o;
- Afastar-se de locais onde anteriormente teve uma crise.
Embora o evitamento possa produzir alívio no momento, tende a reforçar a ideia de que a situação era realmente perigosa. Gradualmente, o mundo da pessoa pode tornar-se mais pequeno e condicionado pela ansiedade.
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O que é a hipnoterapia?
A hipnose é definida, em contexto científico, como um estado de consciência caracterizado por atenção focada, menor atenção a estímulos periféricos e maior capacidade de resposta a sugestões. A hipnoterapia corresponde à utilização deste processo com uma finalidade terapêutica. (Elkins et al., 2015)
Na prática, a pessoa é orientada pelo terapeuta para concentrar a atenção numa experiência interna, como:
- A respiração;
- Determinadas sensações corporais;
- Uma imagem mental;
- A voz do terapeuta;
- Uma memória de segurança ou competência;
- A representação imaginada de uma situação futura.
Este foco pode facilitar uma experiência mais vívida de determinadas imagens e sugestões. Por exemplo, a pessoa pode imaginar-se a permanecer tranquila durante uma apresentação, a observar uma sensação corporal sem entrar em pânico ou a responder de forma diferente a um pensamento ansioso.
Apesar da associação popular entre hipnose e relaxamento, a hipnose não é simplesmente uma técnica de relaxamento. Algumas pessoas sentem-se profundamente relaxadas; outras mantêm-se despertas, atentas e com sensações semelhantes às que têm quando estão absorvidas num livro, num filme ou numa atividade.
Também não é necessário atingir um “transe profundo” para que o trabalho seja útil. As respostas à hipnose variam entre pessoas e podem variar na mesma pessoa de sessão para sessão.
Hipnose e hipnoterapia são a mesma coisa?
Os dois termos são frequentemente usados como sinónimos, mas existe uma diferença.
Hipnose refere-se ao processo ou estado de atenção focada e maior responsividade a sugestões.
Hipnoterapia refere-se à utilização da hipnose no contexto de um plano terapêutico, orientado para dificuldades psicológicas, emocionais ou comportamentais.
A hipnose é, portanto, uma ferramenta. A qualidade e a segurança da intervenção dependem da avaliação clínica, da formação do profissional, dos objetivos definidos e da forma como a técnica é integrada no acompanhamento.
Quando é realizada por um psicólogo, a hipnose pode ser articulada com a formulação clínica do problema, a história da pessoa e outras estratégias psicoterapêuticas.
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A hipnoterapia para a ansiedade funciona mesmo?
A resposta mais rigorosa é: pode funcionar para algumas pessoas, mas os resultados variam.
Uma meta-análise publicada em 2019 reuniu 15 estudos, correspondentes a 17 ensaios, e encontrou uma redução significativa da ansiedade nos participantes que receberam intervenções com hipnose. Os resultados foram superiores quando a hipnose foi combinada com outras intervenções psicológicas, em comparação com a sua utilização isolada. (Valentine et al., 2019)
Uma revisão mais ampla de meta-análises, publicada em 2024, concluiu que a hipnose apresenta potencial em diferentes problemas psicológicos e de saúde. No entanto, a evidência mais robusta verificou-se sobretudo na dor e na ansiedade ou sofrimento associados a procedimentos médicos (Rosendahl et al., 2024)
Ainda assim, pode ser uma ferramenta complementar relevante, sobretudo quando:
- Existe uma componente física muito intensa;
- A pessoa beneficia de imagética e trabalho experiencial;
- É difícil aceder a uma sensação de segurança apenas através da conversa;
- Se pretende ensaiar novas respostas a situações temidas;
- A pessoa sente dificuldade em aplicar competências que compreende racionalmente;
- É integrada num plano terapêutico mais abrangente.
Como pode a hipnoterapia ajudar na ansiedade?
A hipnoterapia não procura simplesmente convencer a pessoa de que “está tudo bem”. Pode trabalhar diferentes componentes do ciclo da ansiedade.
1. Ajudar a regular a ativação corporal
Na ansiedade, o corpo pode reagir antes de existir tempo para avaliar conscientemente a situação.
Durante a hipnose, podem ser praticadas respostas como:
- Abrandar a respiração;
- Reduzir tensão muscular;
- Observar sensações sem as interpretar imediatamente como perigosas;
- Recuperar uma sensação de estabilidade;
- Dirigir voluntariamente a atenção;
- Utilizar uma imagem ou gesto como lembrete de uma resposta aprendida.
O objetivo não deve ser tornar a pessoa dependente de estar sempre relaxada. Alguma ativação física é normal e não precisa de ser eliminada para que a pessoa consiga avançar.
2. Alterar a relação com pensamentos ansiosos
Os pensamentos ansiosos são frequentemente vividos como previsões ou certezas:
- “Vou perder o controlo.”
- “Toda a gente vai reparar.”
- “Não vou conseguir sair daqui.”
- “Esta sensação significa que algo grave está a acontecer.”
A hipnoterapia pode ajudar a criar alguma distância destes pensamentos, permitindo que sejam observados como acontecimentos mentais e não necessariamente como factos.
Também pode utilizar imagens e sugestões para fortalecer respostas alternativas mais realistas:
- “Posso sentir ansiedade sem estar em perigo.”
- “Não preciso de controlar todas as sensações.”
- “Posso permanecer nesta situação e deixar a ansiedade diminuir.”
- “Uma dificuldade não define toda a minha capacidade.”
3. Ensaiar mentalmente novas respostas
A imagética permite representar situações futuras com detalhe.
A pessoa pode ensaiar mentalmente:
- Entrar num espaço que costuma evitar;
- Iniciar uma conversa;
- Apresentar um trabalho;
- Viajar de avião;
- Permanecer num local mesmo sentindo ansiedade;
- Lidar com uma sensação física inesperada;
- Responder a um pensamento de catástrofe.
Este ensaio pode preparar a pessoa para se aproximar da situação com maior confiança e flexibilidade.
4. Complementar a exposição gradual
O tratamento de várias perturbações de ansiedade inclui a aproximação gradual às situações, sensações ou pensamentos que a pessoa evita.
A hipnose pode ser utilizada para:
- Preparar essa aproximação;
- Trabalhar imagens antecipatórias;
- Reduzir a sensação de impotência;
- Ensaiar respostas alternativas;
- Reforçar aquilo que foi aprendido depois da experiência.
No entanto, não deve transformar-se numa forma de evitar toda a ansiedade. Se a pessoa acreditar que só consegue enfrentar uma situação quando está totalmente calma ou quando utiliza uma técnica específica, essa técnica pode tornar-se um novo comportamento de segurança.
O objetivo terapêutico não é garantir a ausência de ansiedade, mas aumentar a capacidade de continuar a agir mesmo quando algum desconforto está presente.
5. Ensinar competências de auto-hipnose
Em alguns casos, o terapeuta pode ensinar exercícios de auto-hipnose para a pessoa utilizar entre sessões.
Estes exercícios podem ajudar a:
- Praticar atenção focada;
- Reduzir ruminação;
- Preparar o sono;
- Ensaiar situações futuras;
- Recordar competências trabalhadas em sessão;
- Recuperar mais rapidamente depois de um momento de maior ativação.
Nota: A auto-hipnose deve ser entendida como uma competência de autorregulação e não como substituto de uma avaliação ou acompanhamento clínico quando a ansiedade é intensa ou incapacitante.
Hipnoterapia para ansiedade generalizada
A ansiedade generalizada caracteriza-se frequentemente por preocupação excessiva e difícil de controlar, acompanhada por tensão, inquietação, irritabilidade, fadiga e dificuldade em dormir.
Na hipnoterapia para ansiedade generalizada, o trabalho pode incidir sobre:
- Preocupação constante;
- Necessidade de antecipar e controlar;
- Tensão corporal;
- Intolerância à incerteza;
- Dificuldade em interromper a ruminação;
- Problemas de sono;
- Sensação permanente de ameaça.
A hipnose pode facilitar momentos de atenção mais estável e ajudar a treinar respostas diferentes à preocupação. Contudo, a investigação específica sobre hipnoterapia para a perturbação de ansiedade generalizada continua limitada.
Por isso, quando existe um diagnóstico ou sintomas persistentes, a hipnose deve ser enquadrada num plano que pode incluir psicoterapia estruturada, mudanças comportamentais e, quando indicado, avaliação psiquiátrica. As orientações clínicas atribuem um lugar mais estabelecido à terapia cognitivo-comportamental e a determinados tratamentos farmacológicos.
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Hipnoterapia para ansiedade social
A ansiedade social envolve medo intenso de ser observado, avaliado, criticado ou humilhado.
Pode manifestar-se em situações como:
- Falar em público;
- Participar em reuniões;
- Conhecer pessoas;
- Comer ou escrever à frente de outros;
- Expressar uma opinião;
- Falar com figuras de autoridade;
- Iniciar ou manter conversas.
A hipnoterapia para ansiedade social pode ser utilizada para ensaiar mentalmente estas situações, trabalhar imagens negativas sobre o próprio desempenho e fortalecer a capacidade de permanecer presente durante o contacto social.
Também pode ajudar a reduzir a atenção excessivamente dirigida para dentro, para a voz, o rubor, os movimentos ou aquilo que a pessoa imagina que os outros estão a pensar.
No entanto, a terapia cognitivo-comportamental individual, adaptada à ansiedade social, continua a ser uma das intervenções com maior sustentação científica e a hipnose pode complementar esse trabalho.
Hipnoterapia para ataques de ansiedade ou pânico
Um ataque de pânico é um episódio súbito de medo ou desconforto intenso, frequentemente acompanhado por sintomas como:
- Palpitações;
- Falta de ar;
- Tonturas;
- Tremores;
- Sensação de desmaio;
- Aperto ou dor no peito;
- Formigueiro;
- Sensação de irrealidade;
- Medo de morrer, enlouquecer ou perder o controlo.
Depois de uma crise, é comum desenvolver medo de voltar a senti-la. A pessoa começa a vigiar o corpo, a evitar esforços, locais ou situações e a interpretar pequenas alterações físicas como sinais de uma nova crise.
Na hipnoterapia para ataques de ansiedade ou pânico, podem ser trabalhados:
- O medo das sensações corporais;
- A antecipação de novas crises;
- Imagens de catástrofe;
- A sensação de falta de controlo;
- O evitamento;
- A recuperação de confiança no corpo;
- A prática de respostas alternativas.
É importante, contudo, que a intervenção não se limite a “fazer desaparecer” todas as sensações. Na perturbação de pânico, aprender que essas sensações podem ser toleradas e não precisam de ser evitadas é frequentemente uma parte central do tratamento.
Quando clinicamente indicada, a hipnose pode ser articulada com psicoeducação, reestruturação cognitiva e exposição gradual às sensações e situações temidas.
Num primeiro episódio, perante sintomas novos ou quando existem dúvidas sobre a sua origem, é importante procurar avaliação médica para excluir outras causas.
Hipnoterapia para ansiedade e depressão
Ansiedade e depressão surgem frequentemente em simultâneo.
Uma pessoa pode sentir preocupação, tensão e medo, mas também:
- Perda de prazer;
- Falta de energia;
- Desesperança;
- Isolamento;
- Autocrítica intensa;
- Alterações do sono e do apetite;
- Dificuldade em iniciar atividades.
A hipnoterapia pode ser utilizada como complemento para trabalhar ruminação, autocrítica, desesperança, dificuldade em aceder a experiências positivas e bloqueio comportamental.
Quando a ansiedade ocorre em conjunto com depressão, é importante avaliar:
- A intensidade dos sintomas;
- O impacto no funcionamento;
- A presença de desesperança;
- Alterações importantes do sono ou apetite;
- Consumo de substâncias;
- Pensamentos de morte, suicídio ou autolesão.
Nestes casos, a hipnose deverá integrar um plano clínico mais abrangente, podendo ser necessário acompanhamento psicoterapêutico regular e uma consulta de psiquiatria.
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Como decorre uma sessão de hipnoterapia para a ansiedade?
Uma sessão de hipnoterapia não começa necessariamente com a pessoa a fechar os olhos. Antes de utilizar a hipnose, é importante compreender o problema e estabelecer objetivos.
1. Avaliação inicial
Na primeira consulta, o psicólogo procura compreender:
- Que sintomas estão presentes;
- Quando começaram;
- Em que situações surgem;
- O que a pessoa evita;
- Que tratamentos já realizou;
- Se existe medicação;
- Se existem outras condições psicológicas ou médicas;
- Quais são os objetivos e expectativas relativamente à hipnose.
A primeira consulta pode ser sobretudo dedicada à avaliação e planeamento. A hipnose apenas deverá ser utilizada se for clinicamente adequada e se a pessoa estiver confortável.
2. Explicação do processo e consentimento
O terapeuta explica:
- Em que consiste a hipnose;
- O que poderá acontecer durante o exercício;
- Quais os objetivos;
- Que a pessoa mantém o controlo;
- Que pode falar, abrir os olhos ou interromper a qualquer momento;
- Que não existe obrigação de seguir qualquer sugestão.
A colaboração e o consentimento são essenciais.
3. Indução hipnótica
A indução é o processo utilizado para ajudar a pessoa a concentrar a atenção.
Pode envolver:
- Observar a respiração;
- Focar um ponto;
- Fechar os olhos;
- Imaginar um lugar;
- Percorrer mentalmente diferentes partes do corpo;
- Contar de forma progressiva;
- Acompanhar a voz do terapeuta.
Não existe uma única forma correta de entrar em hipnose.
4. Intervenção terapêutica
Depois de a atenção estar mais focada, o terapeuta pode utilizar:
- Sugestões terapêuticas;
- Imagética guiada;
- Ensaio mental;
- Dessensibilização gradual;
- Trabalho com pensamentos e crenças;
- Fortalecimento de recursos internos;
- Preparação para situações futuras;
- Treino de respostas corporais;
- Sugestões pós-hipnóticas;
- Exercícios de auto-hipnose.
As sugestões devem ser ajustadas à pessoa e aos objetivos previamente definidos, e não frases genéricas aplicadas da mesma forma a toda a gente.
5. Regresso ao estado habitual de atenção
No final, o terapeuta orienta a pessoa para voltar gradualmente a dirigir a atenção para o espaço, o corpo e a conversa.
A pessoa não fica “presa” em hipnose. Poderá sentir-se relaxada, desperta, emocionada ou simplesmente semelhante ao que sentia antes da experiência.
6. Integração da experiência
Depois do exercício, existe espaço para conversar sobre:
- Aquilo que a pessoa sentiu;
- As imagens ou pensamentos que surgiram;
- O que foi útil ou difícil;
- Como relacionar a experiência com o objetivo terapêutico;
- Que exercício poderá ser praticado entre sessões.
Quando deve ser complementada com psicoterapia?
A hipnose pode ser integrada na própria psicoterapia quando o profissional tem formação em ambas as áreas.
Um acompanhamento psicoterapêutico mais abrangente é especialmente importante quando:
- A ansiedade está presente há muito tempo;
- Existem vários problemas associados;
- Há padrões de evitamento muito instalados;
- Existem dificuldades relacionais ou de autoestima;
- A ansiedade está ligada a experiências traumáticas;
- Existem comportamentos compulsivos;
- Há depressão;
- Os sintomas interferem significativamente com o trabalho ou as relações;
- A pessoa precisa de compreender os fatores que mantêm o problema;
- É necessário realizar exposição gradual ou alterar padrões comportamentais.
A investigação sugere que a hipnose pode produzir melhores resultados quando é utilizada como complemento de outras intervenções psicológicas do que quando é aplicada isoladamente. (Valentine et al., 2019; Ramondo et al., 2021)
Quando pode ser necessária uma consulta de psiquiatria?
A avaliação psiquiátrica pode ser importante quando:
- Ansiedade é intensa ou incapacitante;
- Existem crises muito frequentes;
- O sono está gravemente afetado;
- Há depressão moderada ou grave;
- A pessoa não consegue trabalhar, estudar ou realizar atividades básicas;
- Existem sintomas de mania, psicose ou desorganização;
- Há consumo problemático de álcool ou outras substâncias;
- Existem pensamentos de suicídio ou autolesão;
- A psicoterapia não está a produzir melhoria suficiente;
- É necessário avaliar a possibilidade de medicação.
A medicação não é obrigatória em todos os quadros de ansiedade. Quando indicada, pode reduzir sintomas e criar melhores condições para o trabalho psicoterapêutico.
A decisão deve ser individualizada e discutida com um médico psiquiatra, considerando benefícios, riscos, preferências e história clínica.
Hipnose clínica online n’ O Teu Lugar
O Teu Lugar disponibiliza consultas online de hipnose clínica com o Dr. Fábio Pereira, psicólogo clínico e da saúde e hipnoterapeuta, com a cédula profissional n.º 24684.
O Dr. Fábio acompanha perturbações de ansiedade e do humor, ataques de pânico, dificuldades de sono, stress, luto e outras dificuldades emocionais, integrando a hipnose com uma perspetiva psicológica e cognitivo-comportamental.
Sobre o Dr. Fábio Pereira
Cédula Profissional nº 24684
- Psicologia Clínica e da Saúde
- Hipnoterapeuta (Hipnose Clínica)
- Psicoterapia (em formação)
Áreas de Intervenção:
Perturbações de ansiedade e do humor/depressivas, obesidade e perturbações alimentares, perturbação obsessivo-compulsiva, adições, perturbações do sono, burnout/stress, luto e perda, dificuldades relacionais e/ou outros desequilíbrios emocionais não especificados.
As sessões decorrem online, através de uma plataforma de teleconsulta. Para uma sessão de hipnose online, é importante garantir:
- Um local privado;
- Uma ligação estável à internet;
- Uma posição confortável;
- Som adequado, idealmente com auriculares;
- Ausência de interrupções;
- Que a pessoa não necessita de conduzir ou realizar tarefas exigentes durante a sessão.
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FAQs
Perguntas frequentes sobre hipnoterapia para ansiedade
A hipnoterapia para a ansiedade funciona mesmo?
A investigação sugere que a hipnose pode reduzir sintomas de ansiedade e que tende a ser mais eficaz quando é integrada noutras intervenções psicológicas.
No entanto, os estudos são heterogéneos e nem todos analisam pessoas com uma perturbação de ansiedade diagnosticada. A evidência é mais consistente para a ansiedade associada a procedimentos médicos do que para quadros como ansiedade generalizada, social ou pânico.
Por isso, a resposta depende da pessoa, do tipo de ansiedade, da qualidade da avaliação e da forma como a hipnose é integrada no plano terapêutico.
A hipnoterapia pode ajudar na ansiedade generalizada?
Pode ajudar a trabalhar preocupação, tensão corporal, ruminação, dificuldade em dormir e necessidade excessiva de controlo.
A hipnoterapia pode ajudar na ansiedade social?
Pode ser utilizada para ensaiar situações sociais, trabalhar imagens negativas, reduzir a atenção excessiva aos próprios sintomas e preparar exposições graduais.
A hipnoterapia ajuda em ataques de ansiedade ou pânico?
Pode ajudar a diminuir o medo das sensações corporais, a antecipação de novas crises e a sensação de perda de controlo.
O objetivo não deverá ser evitar todas as sensações, mas aprender a interpretá-las e tolerá-las de forma diferente. Em muitos casos, a hipnose é mais útil quando combinada com psicoeducação e exposição gradual.
A hipnoterapia pode ajudar no tratamento da ansiedade e depressão?
Pode ser utilizada como complemento para trabalhar ansiedade, ruminação, autocrítica e bloqueio emocional.
Porém, quando existe depressão, é necessária uma avaliação clínica específica. A evidência atual não permite recomendar a hipnose como tratamento isolado da depressão, sobretudo em quadros moderados ou graves.
Durante a hipnose vou perder o controlo?
Não. A pessoa mantém consciência, capacidade de decisão e possibilidade de interromper o exercício.
A hipnose clínica depende de colaboração. O terapeuta não controla a mente da pessoa nem consegue obrigá-la a agir contra a sua vontade.
Vou ficar inconsciente ou adormecer?
Não necessariamente. A palavra “hipnose” está historicamente associada ao sono, mas a experiência é diferente.
A maioria das pessoas continua a ouvir o terapeuta e sabe onde está. Algumas sentem relaxamento profundo; outras sentem sobretudo concentração e absorção.
Posso revelar segredos contra a minha vontade?
Não. A pessoa continua a poder escolher o que diz e o que não diz.
A hipnose não funciona como um “soro da verdade” e não permite ao terapeuta aceder diretamente a conteúdos escondidos.
Posso ficar preso em hipnose?
Não. A pessoa pode sair do estado de atenção focada espontaneamente ou seguindo a orientação do terapeuta.
Mesmo que uma sessão fosse interrompida, a atenção regressaria gradualmente ao estado habitual.
Vou lembrar-me da sessão?
Na maioria dos casos, sim.
Algumas pessoas podem recordar determinadas partes com menos detalhe, sobretudo se estiverem muito absorvidas, mas a amnésia não é um elemento necessário nem desejável da hipnoterapia.
A hipnose permite recuperar memórias esquecidas?
A hipnose não deve ser utilizada como método para determinar se um acontecimento ocorreu realmente.
A memória humana é reconstrutiva e pode ser influenciada por expectativas, imagética e perguntas sugestivas. A utilização inadequada da hipnose para “recuperar” memórias pode aumentar o risco de distorções e falsas memórias. Por isso, uma prática clínica responsável trabalha as emoções, sintomas e significados presentes sem apresentar imagens surgidas durante a hipnose como provas factuais. (Leo et al., 2025)
A hipnoterapia funciona online?
Pode ser realizada online quando existem condições adequadas de privacidade, som, ligação e conforto.
O formato online pode até facilitar o processo para algumas pessoas, por estarem num ambiente familiar. Contudo, a adequação deve ser avaliada individualmente.
Quantas sessões são necessárias?
Não existe um número universal.
A duração depende de fatores como:
- Tipo de ansiedade;
- Intensidade dos sintomas;
- Tempo de evolução;
- Existência de outras dificuldades;
- Objetivos definidos;
- Resposta individual;
- Integração com psicoterapia.
Algumas pessoas notam mudanças em poucas sessões; outras precisam de um acompanhamento mais prolongado. Um profissional responsável não deve garantir resultados nem prometer uma “cura” num número fixo de sessões.
Toda a gente consegue ser hipnotizada?
As pessoas apresentam diferentes níveis de resposta à hipnose.
Não é necessário entrar num transe profundo para beneficiar de atenção focada, imagética ou sugestões terapêuticas. Quando a hipnose não é uma ferramenta adequada ou útil, o plano deverá ser ajustado.
A hipnoterapia é segura?
Em geral, a hipnose clínica é considerada uma intervenção de baixo risco quando é realizada por um profissional qualificado e após uma avaliação adequada. Uma revisão abrangente encontrou poucos acontecimentos adversos, mas também assinalou limitações na qualidade e no reporte de segurança dos estudos.
É necessária avaliação cuidadosa quando existem sintomas psicóticos, mania ou hipomania, dissociação grave, consumo de substâncias, trauma complexo descompensado ou uma crise psicológica aguda.
A hipnose não deve ser usada para forçar recordações, provocar catarse ou substituir cuidados médicos e psicológicos necessários.
A hipnoterapia é a escolha certa para mim?
A hipnoterapia poderá fazer sentido se:
- Tens curiosidade e disponibilidade para experimentar um trabalho baseado em atenção e imagética;
- Compreendes que manterás o controlo durante o processo;
- Procuras uma ferramenta complementar;
- Estás disponível para praticar competências entre sessões;
- Os objetivos são definidos de forma realista;
- Existe uma avaliação clínica adequada.
Poderá não ser a melhor opção quando a pessoa espera uma solução passiva, imediata ou garantida.
A hipnose não “apaga” a ansiedade, não elimina memórias e não impede que a vida volte a ser desafiante. Pode, porém, ajudar algumas pessoas a relacionarem-se de maneira diferente com os pensamentos, as sensações e as situações que anteriormente desencadeavam medo.
O objetivo não pode ser nunca mais sentir ansiedade, mas sim recuperar capacidade de escolha, reduzir o evitamento e deixar de organizar a vida inteira em função do medo.
Referências Bibliográficas
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Souza, F. L., Moura, M. S., Silva, J. V. A., & Elkins, G. (2024). Hypnosis for depression: Systematic review of randomized clinical trials with meta-analysis. Complementary Therapies in Clinical Practice, 57, 101913. DOI: 10.1016/j.ctcp.2024.101913.
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